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“CAFARNAUM”

A CRÍTICA DA CRÍTICA

Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes de 2018, o filme libanês é concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro ao lado do mexicano “Roma” (disponível no Netflix e já considerado ganhador) e do japonês “Assunto de família”, com quem compete em alta qualidade na temática dos excluídos. Dirigido por Nadine Labaki numa Beirute de grandes favelas que se ressente de guerras por tudo quanto é canto do Oriente Médio. Nadine demonstra um domínio completo do material que colheu e se propõe a investigar, como se o filme fosse um documentário, sem tirar o foco de seu incrível elenco de não-atores. Apesar de ser uma fábula sobre um menino que inicia uma ação judicial contra seus pais pelo fato de terem lhe trazido ao mundo, sem a menor condição para nele exercer sua cidadania, veiculando uma forte conotação crítica dos bastidores do mundo árabe, como casamentos arranjados, prostituição, tráfico de crianças e menores abandonados – não muito diferente do Brasil. O menino é Zain Al Rafeea, uma revelação que parece ter sido arrancado das ruas momentos antes de começar a rodar o filme, de tão ligado, carregando o filme nas costas como o grande líder dos excluídos. O personagem revela-se amadurecido demais, infeliz e exaurido de tantas responsabilidades que assume em lugar das que seus pais abdicaram. Não se pode dizer que o filme é de ficção, pois no mundo da pobreza, da miséria e dos marginalizados tudo é possível. Cenas inéditas e arrebatadoras de Zain contracenando com o ator Boluwatife Bankole (Yonas), um bebê que não tem mais de 2 anos de idade, filho de uma imigrante ilegal etíope, impressionam e nos angustiam diante da realidade terrível de ambos. Defrontam-se contra adultos irresponsáveis, venda de seres humanos, atravessadores e negociadores sujos e, por incrível que pareça, ainda há quem lute por justiça. Submetidos a um sistema socioeconômico injusto, propagador da concentração de renda e cujo interesse para extinguir a fome e a miséria é zero.

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