O Espírito Emmanuel é um dos mentores que mais se notabilizam na Ciência Espírita, cuja fama como guia espiritual de Chico Xavier não para de crescer. Com uma trajetória milenar de reencarnações, nas quais se destacou como o senador romano Públio Lentulus à época de Jesus e como o padre Manuel da Nóbrega no Brasil Colônia, sua vasta produção literária, focada na renovação cristã e moral, foi psicografada por Chico Xavier. A série “Vinha de Luz” é a que mais chama atenção.
Em 1931, manifestou-se pela primeira vez a Chico Xavier, guiando-o na psicografia de mais de 400 livros escritos por Chico, abordando temas espirituais, bíblicos e romances históricos. Foi coordenador de toda a atividade mediúnica de Chico Xavier, de modo que as mensagens de Jesus pudessem chegar até nós, abrindo terreno para que o Brasil se tornasse a pátria do Espiritismo.
O lema do Espírito Emmanuel, “Disciplina, disciplina, disciplina”, lhe dá uma falsa ideia de ter sido controlador e importante para modelar a conduta de Chico. Não se trata disso ou de rigidez ou de espírito disciplinador, mas é que, de tanto veicular mensagens voltadas para o nosso bem, apagar arestas, facilitar a aproximação de irmãos, quebrar lanças para aumentar a empatia entre nós, a doçura predominar diante da amargura, nos tornamos inteiramente devotados a divulgar a fé em Deus e na espiritualidade.
Senão vejamos como o Espírito Emmanuel se expressa na linguagem espírita, com uma abordagem originada na espiritualidade um tanto ou quanto fora dos nossos padrões, mas que chega na realidade atual ao alcance de problemas que nos chocam.
“Ouviste oradores inflamados, advogando a causa da paz sobre toneladas de pólvora e anotaste a presença de supostos vanguardeiros do progresso, solicitando-a sobre montões de ruínas.” Bem pode ser uma referência aos tempos atuais nos quais um rastilho de pólvora ameaça explodir um conflito mundial no planeta Terra e à ação de falsos profetas anunciando teorias de conspiração.
“No plano maior, os poderosos alinham bombas e os fracos acumulam desesperos. Talvez, por isso, em plano menor, muitos adotaram fórmula idêntica. Em sociedade, acreditam que a astúcia vale mais que a honestidade e, no campo individual, aceitam o egoísmo à feição de senhor. Concorrem às maratonas da discórdia, discorrem sobre a indulgência disputando o campeonato da crítica, acentuam a técnica de ferir e reportam-se ao mundo, regurgitando pessimismo.” Quer juízo mais duro do ser humano? Quer crítica mais afiada da sociedade?
“E a equação de todos esses desatinos será sempre a guerra… guerra de princípios, guerra de interesses, guerra fria superlotando manicômios, guerra quente disseminando a morte.” Enquanto houver guerra, seja no plano maior ou no plano menor, a alma ainda será por demais pequena, quanto cega ou sem visão (que diferença faz?), do tanto que navegamos em águas pútridas e enlameadas, onde qualquer vislumbre de oásis equivale a outro mundo que não esse.
E o pessimismo, quando iremos deixá-lo longe de nossos tempos? “Quando a consciência começar a carregar consigo o fruto de suas próprias obras em prol de outros. Em penhor de tua própria imortalidade, para a exaltação da vida eterna, com a paz verdadeira começando de ti.” A luz do conhecimento irá estruturar o espírito contra as armadilhas da ignorância.
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