EUTANÁSIA E ABORTO EM CONJUNÇÃO

A eutanásia vem sendo muito praticada, pelo menos nos países desenvolvidos. Nos países mais pobres, a preocupação com a fome e a miséria não deixam espaço para pensar no que alguns acreditam ser uma solução para a vida. Nos países mais religiosos, corresponderia a um atentado ao direito sagrado que lhe foi concedido de viver a vida e valorizá-la; seria covardia pedir ajuda para morrer.
Ele estava se apagando, não tinha mais vontade de viver. Quando soube que a morte assistida havia sido autorizada no Canadá, ele deixou de sofrer as dores insuportáveis do câncer na próstata e não hesitou em nenhum momento em sua decisão. Sua mãe viria a reproduzir sua escolha cinco anos depois, quando entendeu que não poderia voltar mais para casa depois de hospitalizada aos 96 anos. Não existe uma boa maneira de morrer, mas foi um privilégio ter tido tempo para nos despedirmos, acrescentou a filha.
Uma em cada 20 mortes no Canadá ocorreu por morte assistida, legal no país desde 2016 para pessoas em fase terminal. Em 2021, o direito foi ampliado para aqueles que sofrem de uma doença grave e incurável, mesmo que a morte não seja previsível. Atualmente, se estuda estender o direito a pessoas que sofrem exclusivamente de doenças mentais.
Afetada há décadas por um transtorno bipolar, ela tentou de tudo, antidepressivos, antipsicóticos, estabilizadores de humor, benzodiazepínicos, soníferos, estimulantes, terapia cognitivo-comportamental, terapia dialético-comportamental, tai-chi, reiki, meditação, veganismo, arteterapia e musicoterapia – o caso extremo. Gostaria de partir em paz e com segurança, cercada de amor, ela que mora sozinha com o cachorro – além do mais, a morte não seria violenta.
O tema acabou sendo tão banalizado a ponto de ser tratado como uma forma de terapia. Quando, para a psiquiatria, a ideia do suicídio costuma fazer parte de um grave transtorno mental em que é extremamente difícil prever como irá evoluir. Daí a permitir a morte assistida independentemente de patologia, só depende do sistema de saúde mental do Canadá estar preparado. Ou seria a saúde mental do país estar preparada?
Há de se convir que existem inúmeras pessoas que se tornam doentes ao longo de décadas, passando por uma infinidade de tratamentos, cujo sofrimento causado por certas doenças mentais, às vezes é tão impossível de aliviar quanto a dor física. Como exemplo substantivo de não poder partir com dignidade: a demência. Por isso, o viajante no Canadá prefere, ao invés de um velório, transformar o último dia de convívio com seus entes queridos numa celebração de sua vida com música, discursos e bufê, a fim de fazê-los compreender que ele não mais irá sofrer.
Alegam, em sua defesa que, graças à medicina, adicionamos mais anos à nossa existência, mas nem sempre poder curtir esses anos em razão de problemas físicos e mentais. Daí caber ao paciente a decisão de encerrar a sua vida.
Ignorando que a alteração do estado de espírito é a causa, enquanto a alteração biológica do estado de saúde é o efeito, a consequência. Mas isso não é reconhecido, sequer identificado. O espírito é quem adoece ou se altera em razão de carmas de vidas passadas não resgatados ou de missões não cumpridas, ou tão somente se omitindo a respeito de seu próprio destino.
Na eutanásia, o ser humano tira sua própria vida ou se suicida. Para não mais sofrer ou mesmo vir a sofrer, como no caso do mal de Alzheimer apoderar-se de sua mente. Desconhecendo que os restos mortais de seu corpo logo se extinguirão, mas o espírito é eterno e irá reencarnar em outro corpo para continuar seu processo evolutivo. Enquanto, no aborto, impede-se o filho de nascer, pois essas novas almas ainda não são suficientemente queridas para acolhê-las como elas merecem, pelo menos, no momento. Ainda se ignora o destino da alma do feto.
Com o livre-arbítrio imperando, seja na decisão pela eutanásia, seja pelo aborto. Mas não a ponto de isentar, em ambos os casos, das consequências, nesta ou em outra vida, o que é bem diferente de considerá-lo culpado pelos seus atos a cada encarnação. Como que a se exigir sua cabeça. A pena de morte não se encaixa nem faz sentido no espiritismo. Não se pode tirar a vida do espírito. Nem buscar um culpado a todo custo, seja pela eutanásia ou pelo aborto. Salvo pela falha e extremamente limitada justiça terrena, que não recupera nem ressocializa preso algum em penitenciárias que lembram o inferno de Dante.


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