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“LIBELU – ABAIXO A DITADURA”

No Festival “É tudo verdade”, Diógenes Muniz exibiu o seu interessante documentário “Libelu – abaixo a ditadura”. A Libelu, nos anos 70, era diferente das outras correntes de esquerda: mais irreverente e artística, menos rígida e distante da luta armada. Também considerada menos séria, cujos militantes ganharam um tom pejorativo com o título de “libelus”. Com o passar dos anos, seus membros foram tomando diferentes direções. Alguns abandonaram totalmente o marxismo, caso de Demétrio Magnoli e Reinaldo Azevedo. Outros foram absorvidos pelo sistema ao qual se opunham, como Eduardo Gianetti. Já Palocci rendeu-se à corrupção, com o verme reconhecendo que dançou conforme a música. Fácil de esbarrar na redação de jornais, revistas, rádios e televisões com ex-trotskistas, ex-comunistas, ex-socialistas e ex-esquerdistas, usufruindo posições de destaque e salários compensadores. Zelando por uma conduta exemplar de sempre alerta, escoteiros do neoliberalismo. Saíram das salas de aula, das bibliotecas, das manifestações e panfletagens nas universidades e nas ruas, para encontrar seu espaço na mídia, desde direção de revistas a colunas em jornais ou programas em TV, como recompensa pela sua adesão. Cumprimentados, quando não abraçados por empresários ou por quem já foi seu inimigo figadal, por apologistas ou aliados fiéis à ditadura militar. Abandonaram posturas rebeldes no passado, hoje lembradas como a melhor fase de suas vidas, para submeter-se aos donos do poder e dos meios de comunicação. Não é que não possa mudar de posicionamento político e tenha que ficar atarraxado à mesma matriz a vida inteira, mas por que o ex-esquerdista ataca com especial fúria a esquerda, como quem ataca a si mesmo e a seu próprio passado de militante e companheiro? Surfam na onda ascendente do neoliberalismo, o importante seria o mercado e a menor participação possível do Estado. O certo é que nos habituamos a que uma fração considerável dos direitistas tenha sido de esquerda ontem. A direita sabe comprar apoio, aliciar, plantar um laranjal para lavar dinheiro, distribuir vantagens, oferecer cargos, embora alardeie que a sua luta maior é contra a corrupção, quando não conspira e estimula golpes para derrubar governos e se associar a uma ditadura. O pior conservador é o ex-comunista, por jogar na lixeira toda a sua bagagem cultural amealhada que fermentou sua inteligência e seu desenvolvimento intelectual. Primordialmente usada para defender a prática socializante, que exige fundamentação… até cansar!

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