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RUSSOFOBIA

O gradual processo de destruição da Ucrânia promovido pela Rússia aflorou a russofobia. Insuflada pela ameaça que o arsenal atômico russo representa e por sua folha curricular de nação de dimensões continentais invadida pela audácia ignara de Napoleão e Hitler e ter revertido o jogo diante dos dois grandes inimigos, de forma arrasadora.
Ao apagar do comunismo, a Rússia viu sua área de influência diminuir mexendo com os brios do país imperialista, o que a levou a se revoltar com a Ucrânia, país irmão de onde se originou nos anos 800 d.C. – Moscou fica a 500 km de Kiev. Temia que a Ucrânia abraçasse a Europa de Londres, de Paris, de Roma, a Europa da OTAN. Invadiu preventivamente a Ucrânia para torná-la ao que resultou das ex-repúblicas soviéticas da Bielorrússia, Geórgia, Cazaquistão, por exemplo – países satélites acoitados na Cortina de Ferro.
A matança inclemente de ucranianos provocou a negação da arte e da cultura russa e o consequente cancelamento na sua utilização e no seu consumo, dificultando a compreensão entre os povos e a vitória da ignorância. Refletidos naquilo que a Rússia tem de melhor no balé, na música clássica, na literatura, no teatro, no esporte, à parte as sanções econômicas. Abolindo Tchaikovsky das salas de concertos, que muito compôs na sua adorada Ucrânia e cuja casa em Trostyanet foi recentemente bombardeada pelos russos. Ou a Ópera Nacional Polonesa sustar a produção da ópera “Boris Godunov”, de Mussorgsky, que denuncia justamente os perigos da autocracia czarista. Ou a Universidade de Milão, que cancelou um curso sobre Dostoievski, condenado à morte em 1849, por supostamente integrar movimentos contrários ao czar, cuja pena foi comutada para trabalhos forçados na Sibéria.
Tudo tão distante, mas, na verdade, tão próximo, quando aqui no Brasil temos carnificinas diárias contra a população civil pobre, feminicídios e extermínios homofóbicos, e nos recusamos a enxergar ou admitir, tal como na Rússia, que transmuta um genocídio em operação especial de guerra.

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