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SÃO TODOS UNS POIAS

Assis é mais um dos excelentes jogadores que o Brasil produz e seca na fonte, por ter horror a chutar em gol. Quer ensinar ao irmão Ronaldinho, o Gaúcho, a não se preocupar com os outros, a só pensar em si, em suma, a não passar a bola e concentrar-se em fazer gols, nem que seja de canela. Ser artilheiro para ganhar mais dinheiro. Óbvia rima para uma poesia fracota inspirada nos 80 milhões de dólares que o Leeds United ofereceu no último leilão dessas Câmaras de Artes que o futebol inaugura em cada palco iluminado do mundo globalizado. Quase o mesmo preço alcançado por um quadro de Van Gogh abiscoitado por um desses colecionadores sem face.
O Brasil vive de pactos selados que rotulamos de exóticos, na impossibilidade de se escolher o adjetivo mais apropriado. Como a aliança entre o PSDB e o PTB, excluindo o PFL, a fim de aprumar a governabilidade da “Nau sem Rumo”, que virou enredo de bloco de carnaval. De um lado, Aécio Neves, o neto de Tancredo, o presidente-símbolo da abertura política que não tomou posse porque não chegou a tempo. De outro, Jefferson, nos seus inconfundíveis 150 quilos, da tropa de choque de Collor, fiel escudeiro até o último instante do impeachment. A suspeita de maquiavelismo largou no ar um cheiro desagradável de imoralidade, que entonteceu Bornhausen, declarando-se “não acostumado a jogadas rasteiras e manobras obscuras”.
Talvez eles saibam lidar melhor com realidades como a do cadastramento de pescadores nas comunidades atingidas pelo vazamento de óleo na Baía de Guanabara. Eu ainda me espanto com as ameaças de morte vindas de traficantes de drogas com aspirações políticas, que impõem nomes sem qualquer ligação com atividade pesqueira.
Os “R” acumulam êxitos, seja qual for o esporte, e os Ronaldinhos redimem a nossa imagem no exterior de escravagismo e maus-tratos à doméstica. Até que não é mau o conselho do Santo Assis tupiniquim, considerando-se que o prefeito Conde jactou-se da prisão de Rosimari por fazer topless. Seus seios viraram marca do verão 2000 e destaque no carro “Em teu seio, ó liberdade!” da escola de samba Acadêmicos de Cubango.
A dupla gaúcha podia até acusar a intelectualizada classe formadora de opinião de que Vampeta só não ganhou o prêmio Mário Peixoto – de contribuição ao cinema – porque foi roubado mais uma vez por esses juízes de futebol, digo, jurados de cinema. O Oscar naturalizado no Quitandinha foi para o veterano Orfeu, que colheu vaias do público insatisfeito com a injustiça cometida contra o Vampeta. Afinal, ele restaurou o cinema de Nazaré, na Bahia, sua terra natal.
Pior é o jiu-jítsu, vale-tudo e judô se atracando no meio da rua, em boates – Ilha da Fantasia e nas confederações, com acusações generalizadas de homossexualismo, provocando a justa ira dos gays, porque falam, falam e não praticam. Robson, o enjeitado da família Gracie, perdeu as estribeiras, “é muito feio dois homens peludos se atracarem, duas ou mais mulheres não, é sensual” ou “DNA nenhum seria capaz de provar filho meu gay”. Ryan, o filho, se auto-intitula Billy the Kid, o duelo é a via mais rápida para calar a boca desses infames.
Todos fariam melhor negócio em lerem as memórias de Nelson Motta, que abre o baú em “Noites Tropicais” e confessa que colocou chifres no Ronaldo Bôscoli ao se apaixonar pela Elis Regina. Sentiu culpa em ferir seu guru, que morreu sem acusar o golpe. Ambos tricolores, Nelsinho queria ser como ele, “com todo aquele charme, comendo aquelas mulheres todas, saber todas aquelas malandragens, contar aquelas histórias, e morar naquela cobertura de Ipanema”.   
Estamos vivendo uma época em que nos cansamos de fingir ser virtuoso. Abrimos o verbo sem o menor pudor. Cada um escancara do seu jeito. Para evitar de ser tachado de hipócrita. Melhor ser vilão do que bonzinho. Bonzinho é vira-lata, o pontapé ronda o seu destino.  
Parece que nada mudou desde que Mário de Andrade ameaçou a integridade do povo brasileiro com a preguiça de Macunaíma. Que gente lerda de pensamento. São todos uns poias.
Ronaldinho, segue o conselho do teu irmão!

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