Agradeço o que mereço
Porque tenho apreço
Pelo livre-arbítrio
Não se trata de “carma”, calma
Não no sentido coletivo
Que ignora o fundo da palavra
É consequência natural
Dos próprios atos
Sejam passos
Que nos levam ao paraíso – E para isso o bem foi feito –
Ou pegadas que fincaram no chão
Os pregos que machucaram outros pés
O sofrimento que me vem
Não cai do céu
Não é acaso, ao léu
É causalidade
Resultado da verdade que cumpri
Assim como tudo de bom
Que vivo até aqui
Não sou privilegiada
Por ter mais ou menos
Do bom, do mau
Embora aqui agora reconheça
Alguns privilégios materiais
Meus maiores sortilégios
Me encantam no meu canto
Quando penso consciente
E invento de alegrar gente
Eles vêm do meu amor
Independente das dores
Se não vejo flores
Desenho
Se sofro de horror
Escrevo
Tudo que vivo e vejo
Vira poesia
Mas essa sou eu
O que me aconteceu
Que é diferente do que ocorre
A toda gente, cada um é um
Vivências pessoais são incomparáveis
Não me comparo a notáveis
Nem a gente que sofreu mais
São inúmeros tantos – Sobrevivo
É sobre vida mesmo
Essa bandida que a gente encarcera
Nas gaiolas de carne
É sobreviver ao desencarne
E ver que o que hoje me concerne
E me aprisiona na dor
É só uma passagem pra Pasárgada
Depois que me curar
É pra lá que eu vou
Mariana Valle
17/03/2026
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