O tempo abraça
O sofrimento
E o carrega no colo
Quando eu choro
Ele me lava
Se eu grito
Ele deságua no mar
E às vezes contamina
O que estiver a passar
Mas essas águas
Sempre vão rolar
Às vezes vêm em ondas
Uma atrás da outra
De repente tudo seca
E tem gente que congela
Até virar vidro
Vidros viram cacos cortantes
Que trazem uma dor maior
Que a de antes
Prefiro ninar essa peste
Olhá-la no fundo dos olhos
E conversar tanto com ela
Até fazê-la dormir
Sonhando com dias melhores
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