Chico Xavier discorre sobre a doença como ninguém. A doença é uma espécie de escoadouro de nossas imperfeições. Inconscientemente o espírito quer jogar fora o que lhe seja estranho ao próprio psiquismo. Na realidade, toda doença no corpo é processo de cura para a alma.
Na sequência, há que dar curso a um processo de reforma íntima, pois muitas vezes sofremos porque exigimos, de forma egoica, que as pessoas pensem, sintam ou ajam exatamente como gostaríamos. Ao nos esquecermos de que cada Espírito tem seu próprio estágio de evolução, aprendendo no tempo certo ao enfrentarmos batalhas que nem sempre conseguimos enxergar. A verdadeira mudança começa dentro de nós.
Reforma íntima não é parecer perfeito. É vigiar pensamentos, melhorar atitudes, controlar impulsos, aprender a perdoar, desenvolver paciência e escolher o bem, mesmo nas pequenas situações do dia a dia. Com o objetivo de evoluir espiritualmente.
“Aos outros, dou o direito de serem como são. A mim, dou o dever de ser cada dia melhor.” Nessa frase simples, Chico Xavier resume uma das maiores lições de reforma íntima: parar de tentar controlar a vida dos outros e começar a transformar a nós mesmos.
Foi exatamente isso que Chico Xavier ensinou durante toda a sua vida: menos julgamento, mais compreensão, menos orgulho, mais humildade, menos cobrança ao próximo, e mais disciplina sobre si mesmo.
A ducentésima sexagésima sexta intervenção espiritual, em 12 de junho, se iniciou com cânticos no intuito de abrir caminho para os espíritos curadores, prosseguindo com a leitura de “Vinha de Luz”, 174 (“Plataforma do Mestre”), de Chico Xavier pelo Espírito Emmanuel, e estudo preliminar do capítulo 12 (“Amai os vossos inimigos”), item 3 (“Pagar o mal com o bem”) do livro de Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”.
A evolução espiritual não acontece de um dia para o outro. Primeiro há que nos libertar da cadeia de nossos próprios erros e nos salvar do egoísmo e do orgulho, que ainda legislam e manietam nossa consciência com amplo domínio. Segundo é saber que o amor ao próximo como princípio da caridade não significa amar o inimigo, ter para com ele uma afeição forçada, se não há empatia nem afinidade, ou mesmo se não confiamos naquele que não nos quer bem. Por outro lado, é também não sentir ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; é perdoar-lhe sem pensamento oculto e sem impor condições, sem palavras ou atos que possam vir a prejudicá-lo, não colocando nenhum obstáculo à reconciliação.
A evolução espiritual é construída diariamente, em silêncio, segundo as escolhas que fazemos quando ninguém está olhando. Porque, no fim, a maior vitória do Espírito não é mudar o mundo ao seu redor, é vencer a si mesmo.
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