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A CULTURA DO ZERO

Um conto de fadas ao reverso, escrito da direita para a esquerda, como manda o hebraico. Um triângulo amoroso composto de um homem que descobriu ouro através da aerofotogrametria. Uma modelo deslumbrante, madrinha de bateria, que sofre o ocaso no carnaval e no matrimônio perante a lei de Deus. E o bombeiro, louco para ver o circo pegar fogo. Através dessa maquineta infernal – o celular – que deixa mensagens de amor gravadas ao léu, assim como aciona ataques terroristas que dizima centenas de empregados e desempregados.
Por trás do espelho que projeta a imagem de Osama bin Laden a aterrorizar o século XXI, um mar de infelicidades. Tiraram uma onda com a mídia e tripudiaram sobre o amor, ofendendo a Eros, o deus que personifica os sentimentos ligados ao desejo e à paixão física. Não se brinca impunemente com a mitologia, uma epopéia passada a limpo, obrigatória em qualquer currículo escolar minimamente preocupado com a felicidade.
Tudo começou no rico, quando o príncipe dinamarquês abandonou sua eleita – de família bem-nascida – no altar. Optando pelo popular, o paradigma de todas as modelos que pretendiam se celebrizar e consolidar seu futuro. Desbancando as mulatas da sardinha em lata e do ziriguidum.
Ampliando o foco da exploração e saneando em nome do amor. O casamento soterra os vestígios malévolos e cala para todo o sempre quem ousa pôr pedras no percurso de almas cujo sonho é suplantar barreiras.
Mas eis que aparece o diabo em forma de gente de dentro das labaredas, disfarçado de soldado do fogo para combater a tendência a que o ser humano está condenado: a de se destruir. Todavia, a César o que é de César, o diabo só precisa de um bom pretexto para sapatear por sobre as nossas carcaças. Encerrado o período de carência no qual todo casamento se consome, faz-se necessário erguer outra casa. Dos escombros. Que desprendem um cheiro de queimado e interrompem o come-dorme do bombeiro; onde há fumaça, há fogo.
É pau, é pedra, é o fim do caminho para o rico. Não há dinheiro que compre felicidade, já dizia Frank Capra. O ciúme avaliza a intensidade do amor, se não doentio. Não esquecerá jamais do que colocou em risco para pôr à prova seu amor. A argola de escrava, o seu símbolo.
Quanto à plebéia, rica ficou, o legado de extremada mãe lhe restou, assim como a desconfiança de qualquer varão que se aproximar. Já tocou o sinal de alarme. Apesar dos pesares, a tribo dos homens é unida e corporativista, em silenciosa pajelança elegerão qual a vingança dos deuses a ser saboreada fria.
Quanto ao peão do fogo, seguirá as mesmas pegadas de mulheres que alcançaram a fama, opção até então exercida timidamente pelos heteros, para não serem confundidos com gays. A qualquer custo, se manterá na corda bamba com todos rezando para que se esborrache no chão, afinal de contas, a ótica do espetáculo é a de sessões contínuas sem intervalo. A superar limites ao melhor estilo de maratonas na síndrome dos quinze minutos de fama.
Um traço da nossa cultura significante da era do terrorismo que acabamos de hospedar em nossos domínios. Zerando a traição ou o traíra. Fazendo renascer a eterna discussão se zero inexiste ou compõe uma ordem de grandeza.

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