Geraldo Lemos Neto recebeu e guardou 171 cartas de Chico Xavier. Uma em especial, a de 4 de dezembro de 1979, preservada até hoje com o perfume exalado por pétalas de rosa, acondicionadas pelo mestre junto com a carta num envelope dirigido à sua mãe e ao Geraldo. Quase 50 anos depois, o odor ainda permanece e transcende com a materialização do aroma das rosas, só deixando de se sentir quando encerrada a sessão espírita para onde foi levada.
Em meados de 1930, a Santa Faustina Kowalska encarnou em meio à dificuldade que os jovens sentiam ao enfrentarem dúvidas, medos e forças contrárias que os induziam a negar até a própria vocação. O que também se reflete nos dias atuais quando o rapaz ou a moça parece não querer abrir mão de viver com o conforto e benefícios na casa de seus pais. Logo que a santa polonesa viu Jesus Cristo a seu lado, depauperado, despojado de suas vestes, todo coberto de chagas, o Sofredor lhe dirigiu as seguintes palavras: “Até quando hei de ter paciência contigo e até quando tu Me desiludirás?”. Neste exato momento, interrompe-se a cena e deixa-se de ouvir a música encantadora e romântica no salão de um baile, quando a santa polonesa se viu sozinha perante Jesus, e não mais as pessoas ao seu redor nos festejos. Essa passagem denota que Deus sempre encontra uma maneira de se manifestar na nossa vida para que descubramos a nossa vocação. Para viver a nossa vocação, muitas vezes precisamos fazer muitas renúncias e sacrifícios.
Por isso, é importante estar atento aos sinais. Quando se associa rosas à Santa Faustina, refere-se à gratidão e ao amor que ela oferecia a Deus através de uma vida de humildade e amor ao próximo. Em 2004, uma polonesa que visitava a Fundação Marietta Gaio, assustou-se ao fitar um quadro fixado na parede. Dele emanava um perfume que ela associou à santa polonesa, como que a saudando.
Qual não foi a surpresa de Gabriel García Márquez, quando se apercebeu que a única coisa que levamos daqui é aquilo que vivemos, e gritou “Eureka!”: “Vou começar a viver aquilo que quero levar!”. Uma vida cevada por prazeres, atenta à diversidade de gostos, voltada para suas próprias necessidades, a de quem se ocupa apenas com sua felicidade, tem que ceder lugar à custa de renúncias e de sacrifícios do egoísmo, orgulho e vaidade. Para dar vazão à prática do bem e consequente aperfeiçoamento moral, sustentado pela fé.
A ducentésima sexagésima segunda intervenção espiritual, em 20 de março, se iniciou com cânticos no intuito de abrir caminho para os espíritos curadores, prosseguindo com a leitura de “Vinha de Luz”, 170 (“Amanhã”), de Chico Xavier pelo Espírito Emmanuel, e estudo preliminar do capítulo 11 (“Amar ao próximo como a si mesmo”), item 13 (“A Fé e a Caridade”) do livro de Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”.
Segundo o Espírito Emmanuel, psicografado pelo Chico Xavier, o corpo denso, de alguma forma, representa o molde utilizado pela compaixão de Deus, em favor de todos nós, para reajustar nossos hábitos e aprimorá-los ao curso de grande número de reencarnações. A carne, sob muitos aspectos, é barro vivo de sublime cerâmica a fim de, no calor da luta, ir nos aperfeiçoando como o veículo sutil de manifestação do espírito eterno. Entretanto, quase sempre, desperdiçamos a oportunidade dada, encaminhando-nos para a inutilidade ou para a ruína.
Esquecendo de nossa verdadeira vocação.
Para o homem brutalizado, a morte não faz muita diferença, se a ignorância consome o dia na impulsividade e a noite na inconsciência, até que o tempo e o esforço individual clareie o caminho. Quanto à criatura de algum modo instruída sobre os caminhos que se desdobram além da morte e portadora de algum conhecimento da vida espiritual, todos os pequenos maus hábitos, aparentemente inexpressivos, podem muito bem ser extirpados desde a Terra, se sentir, nos círculos de matéria sublimada, flores e trevas, luz e lama dentro de si – arremata o Espírito Emmanuel.
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