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CAPÍTULO 269 – VÉU DO ESQUECIMENTO

O véu do esquecimento é um dos valores mais expressivos da misericórdia divina. Se recordássemos com clareza dos nossos erros, das mágoas que guardamos e dos conflitos de existências passadas, muitas vezes ficaríamos presos à culpa de nossos atos que fomos capazes de cometer, ao orgulho que desenham nossos excessos ou ao desejo de vingança por não perdoarmos quem teve a coragem de nos afrontar. Por ainda nos encontrarmos num patamar onde só vemos verdades provisórias nas ciências, verdades progressivas nas filosofias, verdades estagnadas em igrejas dogmáticas, verdades convenientes nas lides políticas e verdades discutíveis em todos os ângulos da vida civilizada – segundo o Espírito Emmanuel.
Ao nos permitir recomeçar, Deus nos oferece a oportunidade de construir novos caminhos, corrigir equívocos e desenvolver o amor sem o peso de lembranças que poderiam nos impedir de restabelecer a esperança. A claridade imaculada não seria, no presente estágio da evolução humana, assimilável por todos, de imediato.
Mais importante do que saber quem fomos é compreender quem estamos nos tornando. A verdadeira evolução acontece quando transformamos nosso coração e fazemos do presente uma nova chance de servir, aprender e amar.
A ducentésima sexagésima nona intervenção espiritual, em 24 de julho, se iniciou com cânticos no intuito de abrir caminho para os espíritos curadores, prosseguindo com a leitura de “Vinha de Luz”, 177 (“Edificação do Reino”), de Chico Xavier pelo Espírito Emmanuel, e estudo preliminar do capítulo 12 (“Amai os vossos inimigos”), item 6 (“Os inimigos desencarnados”) do livro de Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”.
Sem esta visão intermediada pela encarnação e reencarnação, ficaríamos restritos ao que o mundo já foi, no qual se sacrificavam animais e até pessoas para apaziguar os ânimos de deuses infernais, depois chamados de demônios, quando não passavam apenas de homens perversos que ainda não haviam se livrado dos instintos materiais – o lucro fácil e a exploração. São, na verdade, Espíritos maus tiranizados por obsessões que, aliás, integram várias provas da vida a que estamos sujeitos, e que envidam de nós resignação e benevolência de modo a desarmá-los do ódio de que se nutrem. A caridade, propriamente dita, não tem apenas o efeito de impedi-los de prosseguir no mal, mas também de resgatá-los para o caminho do bem, e até contribuir para sua salvação.
Enquanto os subjugados ao mal mantiverem os pés chumbados ao chão do planeta, fechando os ouvidos aos apelos do Céu, não se irmanarão ao que o próprio Mestre nos asseverou: a sublime realização se encontra no meio de nós.

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Antonio Carlos Gaio
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