CAPÍTULO 270 – QUANDO OS ESPÍRITOS TENTAM SE COMUNICAR CONOSCO

Ouvir o próprio nome quando ninguém está por perto pode assustar e deixá-lo ressabiado por alguns segundos. Mas a visão espírita nos convida a olhar esse fenômeno com serenidade, e não com medo. Nem todo chamado invisível deve ser tratado como sinal imediato do Além. Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns”, insistiu no valor do discernimento. Antes de aceitar qualquer impressão como comunicação espiritual, convém observar o seu estado íntimo, o cansaço, o ambiente, a frequência do acontecimento e, sobretudo, os efeitos que ele deixa na alma.
O mundo espiritual se comunica, não para alimentar pânico, vaidade ou curiosidade vazia. Quando a presença é elevada, o sinal costuma vir acompanhado de paz, recolhimento, lembrança amorosa, impulso de oração ou desejo sincero de melhorar. Não invade com desespero. Não perturba para dominar. Toca com delicadeza, como quem chama a consciência de volta ao centro.
Chico Xavier ensinou, pela própria vida, que a ponte com o invisível exige respeito, prece e responsabilidade. Ele jamais tratou os sinais espirituais como espetáculo. Para Chico, a mediunidade verdadeira deveria conduzir ao bem, à humildade, ao serviço e à reforma íntima. Se uma voz parece chamar seu nome, a primeira resposta não precisa ser medo. Pode ser uma prece simples, um pensamento elevado, uma pergunta silenciosa: que bem posso fazer agora?
O poder da prece está no pensamento e não depende nem das palavras, nem do lugar, nem do momento em que é feita, orienta Kardec.
A ducentésima septuagésima intervenção espiritual, em 7 de agosto, se iniciou com cânticos no intuito de abrir caminho para os espíritos curadores, prosseguindo com a leitura de “Vinha de Luz”, 178 (“Obra individual”), de Chico Xavier pelo Espírito Emmanuel, e estudo preliminar do capítulo 12 (“Amai os vossos inimigos”), itens 7 e 8 (“Se alguém vos bater na face direita, apresentai-lhe também a outra”) do livro de Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”.
Joanna de Ângelis, ao trabalhar a educação emocional do espírito, lembra que a alma precisa distinguir percepção espiritual de ansiedade, sugestão mental e desequilíbrio interior. Por isso, a escuta mais importante começa dentro. Talvez esse chamado seja memória, intuição, sensibilidade mediúnica, presença espiritual. O essencial é não ignorar a mensagem maior: volte para si, ore, eleve o pensamento, cuide da sua vibração e observe a vida com mais presença.
Em junho de 2020, no maior rigor da pandemia, quando descia as escadas de meu prédio, fui objeto de um comunicado de meu avô Manoel Jorge Gaio (desencarnado em 1954), que soou como uma ordem forte e certeira: assumir uma obra benemérita em favor da Fundação Marietta Gaio, criada por ele e minha avó, Marietta Gaio, em 1932. Uma obra de grande porte, que deveras me assustou, mas que não cabia negociar em que termos, como se eu pudesse. Incontinente, aceitei a missão.
Às vezes, uma voz invisível não vem para revelar um segredo. Vem apenas para lembrar que você também é espírito, mesmo enquanto caminha pela Terra.


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