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CAPÍTULO CII – A ENCRUZILHADA DIANTE DO VÍRUS

Nos encontramos todos atordoados e frágeis nos sentindo indefesos e abandonados à mercê do coronavírus. Apesar da misericórdia com que habitualmente nos abraça, a impressão que dá é de um profundo desagrado de Deus para com os rumos que a Humanidade tomou. Afinal de contas, a pandemia atinge todo o planeta sem salvaguardar um rincão sequer, ainda mais que a contaminação se efetiva através da boca, por onde se expressa segundo seu livre-arbítrio, e do nariz, por onde respira, se mantém vivo e se conecta com o planeta. Tamanha desdita nos faz repensar o quão sem sentido essa corrida em que nossa vida se tornou. Fomos obrigados a parar e refletir sob um holocausto que nos subjuga física e emocionalmente pela escala assustadora de contágio e de mortes. Um vírus universal que nos submete ao isolamento social e nos reconecta em outro padrão inédito na História da Humanidade. E a ter que suplantar, além do vírus, quem coloca cifras à frente de vidas e prefira o risco à cautela ou quem não tem consciência social e coletiva e não respeita profundamente os idosos.
Nos encontramos numa encruzilhada: ou bem nos regeneramos como seres humanos ou estaremos condenados a uma vida miserável, não somente do ponto de vista material, mas moralmente empobrecida, já que esse vírus veio para deixar claro que o ser humano é igual, independentemente da cor, crença e condição social e financeira. Pertencemos à mesma família. Querendo ou não admitir, ou mesmo segregar. Ou nos abraçamos em solidariedade ou voltamos a nos hostilizar como se não pertencêssemos ao mesmo meio ambiente e não necessitássemos do mesmo oxigênio para sobreviver.
A centésima segunda intervenção espiritual, em 24 de abril de 2020, em minha residência e em regime de confinamento face à pandemia do coronavírus, se realizou sob a égide da leitura e estudo preliminar da Parte Quarta (Das esperanças e consolações), Capítulo II (Das penas e gozos futuros), constantes do livro de Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, em que me debrucei sobre o tópico “Intervenção de Deus nas penas e nas recompensas” desdobrado em questões (nº 963 a 964) respondidas por Kardec, assistido por espíritos regeneradores. A escolha do aludido tópico se deveu à tentativa de conectá-los ao confinamento ou à pandemia (ambos se confundem), critério esse completamente diferente do estudo sobre o Evangelho, que obedece à classificação de Kardec. Agora é o tema que se pretende desenvolver e que conduz à pesquisa na doutrina kardecista.
Deus se ocupa com todos os seres que criou, por mais pequeninos que sejam. Nada, para sua bondade, é destituído de valor. Mas tem suas leis a regerem todas as vossas ações. Se as violais, vossa é a culpa. Mas Deus não profere um julgamento com o rigor tosco de “foste guloso, vou punir-te”. Ele traçou um limite em que as enfermidades e muitas vezes a morte são a consequência dos excessos. O resultado da infração da lei. Assim em tudo. Por outro lado, não há uma ação sequer, por mais insignificante que nos pareça, que não possa ser enquadrada no quadro das transgressões, pouco adiantando queixar de nós mesmos se fomos os causadores de nossas infelicidades futuras.
Ou seja, a falta de responsabilidade, que a nós pareceu irrelevante, pode causar um prejuízo lá à frente que não somos capazes de avaliar, sequer enxergar, somente cabendo a Deus atuar na correção, na programação que tem para esse planeta, ativando nossa consciência para nos dar conta do mal que fizemos, ou até propagamos, fato que seria impossível fazê-lo em nosso estágio de evolução. Somente se alcançado o conhecimento e a visão do Plano Espiritual, onde nossos destinos são encaminhados e o tratamento adequado é propiciado aos espíritos despreparados.

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