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CHUMBO GROSSO

Qual é o subproduto do conjunto Iraque do ex-Saddam, Al-Qaeda, Bush e os bandidos do Rio de Janeiro que matam sem piedade?
Uma geração de pitboys que reage à escalada da violência. Em caráter preventivo, reza o seu álibi. No muque, ao apagar das luzes nas boates, no chute na cara do adversário caído no chão, nos golpes deliberados na cabeça para que fiquem lesos igual a eles. No comando de cachorros assassinos que trucidam o rosto de crianças indefesas. Pautados pela máxima de que o cão é o melhor amigo do homem e de que o caráter do ser humano não falha – se, ao menos, observasse a mesma fidelidade canina -, castrando o poder legiferante que necessita de cães de guarda em seus lares para proteger suas fortunas amealhadas sabe Deus lá onde.
Como há quem acredite que a sociedade muda para tudo continuar na mesma, eis que agora surge a pitfamília. Assim escalada: o chefe de família, a esposa – que chuta com os dois pés – e dois filhos, sendo um menor, especialista em mordidas. De nível universitário, quando muito não seja de classe média alta. Os motivos para saírem espancando são os mais nobres, uma multa de trânsito mal aplicada ou qualquer desaguisado no condomínio, como o som elevado ou um carro estacionado na sua vaga. Resolvem na base do lançamento à distância de cabeça-de-nego ou pichações com a suástica nazista.
Não é à toa que surgem cidadãos brasileiros ilustres, que se consideram americanos – seu segundo time -, a nutrir um ódio anômalo pelo boné sebento e barriga indecente de Michael Moore. Patriotas invertidos, que não crêem numa guerra a mais detonada apenas para que a indústria bélica lucrasse more and more (em inglês é maior). Estão sempre a trocar o inimigo da águia da democracia, ora o nazifascismo, ora o comunismo, agora o terror islâmico – e depois não entendem o surgimento de uma onda antiamericana. A confrontar aspectos facciosos, tendenciosos ou panfletários de “Fahrenheit 11 de Setembro” com as mentiras de Bush veiculadas na mídia, como se pudesse equiparar Davi com Golias, o poder de atração de um cineasta contra o poder de fogo do presidente dos Estados Unidos & Cia.
Como se a liberdade de expressão não permitisse editar os fatos ao sabor da ideologia de cada um, cabendo ao público se levantar e aplaudir de pé, se reconhecido o talento, ao se revoltar com o recrutamento de soldados nas camadas mais pobres, em caráter de emprego, para morrer nas guerras – antes eles do que nós, o princípio.
O pacifismo como figura de retórica, segundo os eleitores de Bush no Brasil. Perderam o espírito lúdico do cinema, ao empunharem sua bandeira política, quando se delongam em explicar o vício nas últimas eleições americanas, julgando o público cego e surdo. Perderam as estribeiras, como o governador em exercício no Rio de Janeiro, o senhor Garotinho, que chamou os policiais de esquizofrênicos, ao não saberem o que fazer: se atiram primeiro e perguntam depois ou se entregam os pontos, ao não distinguir entre se defender como alvo fácil dos bandidos ou proteger a população.
De todas as formas, venha de onde vier, é chumbo grosso.

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