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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

Somente agora o século XXI deu o ar de sua graça, a despeito de previsões apocalípticas equivocadas. Foi quando os aviões seqüestrados entraram pelas janelas adentro das torres gêmeas de Nova York e mergulharam no cérebro do Pentágono. Agora sim, estamos seguros e convictos de que ao sairmos de casa não é garantido o regresso ao lar. Era a senha que nos faltava para o novo milênio.
Que século nada, estamos, finalmente, aprendendo a lidar com a noção do tempo e a dar menos importância à matéria que valora e escalona os destemperos de nossa vida. Banalizaram a morte com os atentados, se é tão fácil desaparecer, num abrir e fechar de olhos, para quê o grilo? Há que aproveitar o que nos foi dado de mãos beijadas e nos desvincularmos de paranóias e tramas conspiratórias.
É o momento ideal para fazermos contatos imediatos de 3º grau e encontrarmos alívio nas orientações emanadas que virão de outras entidades, santos, marcianos ou espíritos. Mesmo porque os terrenos não estão inspirando mais confiança, animando-nos a quebrar barreiras, crenças e o horizonte, vencendo o círculo de fogo da exploração que gera retaliação, de que o mundo é competitivo mesmo, o forte só existe porque tem fraco para ser oprimido, o QI mais elevado é a meta para formar uma sociedade de homens extremamente inteligentes e assim produzir eficiência com tudo funcionando nos trinques, chegando ao sucesso, a preferência nacional. Sem se aperceberem de que não se controla ou manipula a lógica da vida, tente e vai ver o que é bom para tosse. Ela se vinga e se retira a hora que bem entende para que caiamos no desgoverno e no vazio.
Os Estados Unidos reiteravam na administração Bush que não se tornaram isolacionistas nem haviam se retirado para dentro de suas fronteiras. Ao renegar tratados internacionais que condenam o racismo e a orientação sexual para crianças em razão da crescente pedofilia. Ao boicotar o Tribunal Internacional de Haia se americanos forem indiciados. Ao defender seus interesses econômicos intervindo em culturas a qualquer custo, promovendo embargos comerciais, protecionismo exagerado e um aquecimento global no planeta degradando o meio-ambiente. Apenas com o olho voltado para não ver sua economia prejudicada.
São vistos como a origem da força de Israel, mas é a primeira vez que são atingidos na própria pele, na carne, no osso, nas vísceras. Os serviços de espionagem baixaram a guarda depois que desmoronaram o Muro de Berlim. Os terroristas ludibriaram a segurança dos aeroportos. Os militares falharam na proteção do espaço aéreo sobre o Pentágono. Alá seja louvado ao cegar o olho grande dos terroristas e espatifar o avião no solo: o alvo supremo seria tirar a vida de mais um presidente norte-americano em pleno vôo ou na sua residência de verão. Deus misericordioso os fez comerem mosca, e a Casa Branca escapou por um triz. Teria sido o mesmo que destruir Disneyworld na frente das crianças.
Bush tirou a sorte grande, mas nem por isso sua fisionomia de acuado e perseguido se desfez diante do remanejamento pelas bases militares de Flórida, Lousiana e Nebraska. Suas lágrimas revelam que, sob seu comando, os Estados Unidos não mais serão os mesmos, cessa a invulnerabilidade quando a querida Manhattan de Woody Allen está isolada do resto de Nova York e do país. O showbiz acusou o golpe e cancelou shows, cinema e teatro, interrompendo o entretenimento e a risada fácil. 
Sunitas, xiitas e talibãs cresceram em progressão geométrica durante a Guerra Fria, mas o Islã ficou com a cara dos fundamentalistas, um inimigo muito mais difícil de ser batido que os comunistas, pois o máximo que o Krelim chegou foi na Baía dos Porcos e no Vietnã. Se formou uma corrente antiamericana ideologicamente islâmica em que o suicídio em nome de uma boa causa os coloca no paraíso, não havendo culpa a redimir, embora o Alcorão não preveja a matança de inocentes. “Mas nem crianças hoje em dia são mais inocentes, vejam as nossas em que meio são criadas”, observa Osama bin Laden.
A infâmia de Pearl Habor foi desagravada com as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, cuja tecnologia seguiu a tendência individualizante do capitalismo americano e virou micro, acessível a todos os consumidores, ao alcance de pequenos inimigos, alimentados por sentimentos anti que vão da religião ao sistema de vida, se convertendo numa represália gigantesca. 
Procura-se construir o rosto do inimigo para identificar a geografia a que pertence e desencadear a retaliação, para retalhar em mil pedaços o demônio que soterrou milhares de vítimas, ainda vivas, lançando pedidos de socorro pelos celulares. A América cuida de detonar uma desforra além da imaginação de seus filmes e da manhã de 11 de setembro de 2001 que virou lenda. O nível de exigência de vingança é epidêmico, urge reparar a paranóia instilada em cada cidadão que cruzar com outro na rua: é suspeito.
O que está em jogo é a auto-estima. The big stick está sendo posto à prova, seu QI, nível de organização e pujança, contra inimigos que ainda não fizeram uso de contaminar reservatórios de água. Superar o gênio da lâmpada que os deixou em maus lençóis na arapuca, como um rato que ruge. O que está em jogo é a hegemonia. 
Mas, o que ainda não foi testado é a sua inteligência emocional, da qual todos nós dependemos para continuarmos a sobreviver.

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Antonio Carlos Gaio
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