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MORRERAM ANTES DO TEMPO

O olhar bucólico de Che Guevara quando morreu em 1968 atesta sua resignação quanto ao seu destino de morrer em nome de uma causa, tornando-se o símbolo de valores que faltam na sociedade atual: idealismo e honestidade de propósitos. Não lhe faltou coragem para pôr em prática o enfrentamento do maior problema que assola o planeta: a luta de classes, que aparta um ser humano do outro. Berço esplêndido versus buraco de onde saiu. O olhar sereno de Che não reflete amargura com a auto-imolação por um mundo melhor. Lembra um mártir sacrificado. Com a cabeça posta a prêmio, Che sabia que iria ser assassinado pela CIA por semear comunismo mundo afora. Para que se manter são e salvo atrás da Cortina de Ferro? Entre espraiar o comunismo miséria africana adentro, preferiu a Bolívia – o antro mais reacionário e atrasado do que se convencionou chamar América Latrina. A fortaleza interna de Che se desmancha quando depõe as armas e ingressa no plano espiritual.
Famosa por sua versão de “Summertime”, Janis Joplin consagrou-se pela voz rouca e performance sensual, cantando blues como nenhuma cantora branca até então. A rapidez com que alcançou o estrelato a obrigou a viver uma outra persona, o que a deixou numa terra de ninguém, precisando beber muito para escapar de si mesma. Ao desespero de ser vista como uma pérola do showbiz e não como ela era, fechou os olhos para o mundo e preferiu examinar sua própria consciência refletida nos seus óculos escuros. Não agüentou e foi encontrada morta num quarto de hotel, devido a uma overdose de heroína.
Apesar do pouco que viveu, Cazuza deixou uma obra para ficar. Personificou como ninguém o trinômio sexo, drogas e rock’n’roll. Com “Bete Balanço” e “Maior Abandonado”, Cazuza chegou ao grande público e foi ganhando fama de poeta do rock brasileiro. Suas atitudes irreverentes e declarações espalhafatosas fizeram com que aparecesse cada vez mais como artista e personalidade. A confirmação da presença do vírus da Aids iria transformar sua vida e carreira. Exagerado, emblemático da sua persona. O nosso amor a gente inventa. O meu prazer agora é risco de vida. Faz parte do meu show. Vida, louca vida. O tempo não pára. Brasil, mostra a tua cara.
Glauber Rocha, pai do Cinema Novo, era considerado pelos militares um dos principais ativistas contra o governo depois do golpe de 1964. Mantido sob vigilância pelos órgãos de informação do regime, sua movimentação era monitorada até no exterior. Que dor ver sua obra censurada no Brasil depois de receber o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes pelo filme “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”! O exílio foi corroendo sua alma libertária e o subversivo se tornou inofensivo quando chamou o general Golbery – guru da ditadura – de “gênio da raça”. Glauber estava vencido, entregara os pontos – que pena, condoeu-se a esquerda. Só voltou ao país às vésperas de morrer. Ao se aproximar do regime que combateu e pelo qual foi perseguido, Glauber caiu no descrédito consigo mesmo.
Seres humanos que abreviaram sua passagem pela Terra.

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