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NÃO É FLOR QUE SE CHEIRE

Vivemos um momento na política, nas artes, na estética, na gerência dos bancos e nos condomínios em que preferimos entregar o bastão do comando às mulheres. As pesquisas acusam uma posição majoritária em favor de uma postura incisiva ao invés do nhenhenhén, de uma honestidade que dispense grampos e assuma riscos, desobrigadas de engravidar um governo cujo filho seja o resgate do gênero humano.
Sobre as mulheres recai a fama de cobrar demasiadamente nos intervalos comerciais de casamentos e é natural que o tiro saia pela culatra, quando no exercício do poder, sejam cobradas impiedosamente por machistas enrustidos desgostosos com a perda de seus privilégios.
Posto em pratos limpos, vamos à roupa suja. O desserviço à causa da mulher avaliado pelo desempenho de três ilibadas políticas no transcurso de seus afazeres executivos. Na maior intimidade. Zélia, a primeira, a nossa dama de ferro que confiscou a poupança nacional, dançou no Besame Mucho, cheek to cheek, com o senador Bernardo Cabral, e acabou longe de Irajá, em Nova York, plugada na pensão de Chico Anísio – o ex-marido reconhecidamente generoso e extremoso com os filhos.
Roseana Sarney teve sua trajetória para presidente da República brutalmente cortada pelo primeiro-consorte Jorge Murad, que apresentou sete versões para justificar o flagrante da Polícia Federal numa dinheirama posta na mesa de suas empresas, financiadas a peso de ouro por recursos nortistas injetados como incentivos fiscais por sulistas, acusados de discriminarem o nordestino.
Rosinha Matheus ou Rosinha Garotinho ou Anthony Garotinho formam uma mesma pessoa, apesar de havermos votado numa só. Ele é o principal conselheiro com papel-chave de organizar a gestão da esposa sem ser o primeiro-ministro. Um secretário sem pasta, dono do pedaço. Um mandato informal sem assumir nenhum cargo em que se possa cobrar responsabilidades e aproveitar a invulgar experiência de um ex-governador que primou por piscinões, bandejões e sacolões que estouraram os limites da paciência do contribuinte com o fisco.
Tira a credibilidade da governadora o Garotinho comandar o Palácio das Laranjeiras estimulando o marrom da imprensa com um arsenal desestabilizador que deveria ser disponibilizado na guerra contra o crime organizado.
Não é que hoje em dia não seja importante saber quem é homem, quem é mulher e se no carnaval cantavam em verso e prosa que “rosinha não é flor que se cheire”. Mas o eleitor carece dessa referência, pois elegeu uma voz própria e não um ventríloquo, que não se sabe se é porta-voz ou se administração conjunta na base de cochichos desbragados e despudorados à frente de ministros, secretários, aspones e silveirinhas.
Tudo por causa de um homem. O desserviço à causa da mulher. Muito mais relevante que ao Brasil. Por não estarmos ainda acostumados. Não por outra feministas xiitas recomendam antes só do que mal acompanhadas.
O cinismo nacional se satisfaz com atentados contra a democracia nos episódios dos grampos e da quebra do sigilo do painel eletrônico do Senado envolvendo um mesmo senador. Que, embora não sendo mulher, mas onipresente, colabora substancialmente no desserviço à causa da mulher, ao manter um concubinato com uma jovem advogada por dez anos e desrespeitar o papel sacro da discreta esposa de um mito entrado na idade que não copia o exemplo de seus pares.
Como o ex-rei da soja, Olacyr de Moraes, impecável em sua postura com as olacyretes na brabeza de noitadas paulistanas. Livre como um pássaro, como convém a quem deseja bordejar e se sente com a energia de um garotinho a seguir as pegadas de Oscar Wilde: “a única maneira de se livrar da tentação é ceder”.

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Antonio Carlos Gaio
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