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“O PROCESSO”

“O Processo”, livro de Franz Kafka, discorre sobre as agruras de um cidadão que acorda e é acusado sem saber do que se trata. As pedaladas que propiciaram o golpe em Dilma e que já foram esquecidas por todos, entendidos ou não em responsabilidade fiscal. O que depõe a favor do filme é o desempenho da artista Janaína Paschoal, que entrou com a peça acusatória do impeachment no papel de advogada especializada em Constituição. Canalhas, canalhas, canalhas! – bradou o senador Requião, referindo-se aos golpistas. Gilberto Carvalho, secretário de Lula, lastimou que faltou fundar uma Última Hora para defender Lula, como tão bem engendrou Getúlio Vargas para terçar armas contra a mídia oligárquica e venal. José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça de Dilma, desmoralizou o senador tucano Anastasia e seu relatório acusatório mentiroso e fraudulento, igualando a louca Janaína a um torturador, quando ela pediu desculpas a Dilma por estar fazendo-a sofrer com o impeachment, lamentando por seus filhos e netos, e chorando para achincalhar a presidenta. Janaína Paschoal custou ao PSDB 45 mil reais para cumprir uma pantomima vagabunda, denuncia o senador petista Lindbergh. Destaque: Lula e Chico Buarque, juntos e presentes no plenário do golpe. Dilma se despede de seu público, e no filme, lembrando as torturas como sua pior dor, acima do câncer e do golpe, até para fortalecer sua consciência de guerreira para enfrentar as traições que levaram a cabo um projeto social que estava começando a mudar a cara do Brasil com o regime de cotas e o resgate da autoestima dos brasileiros. A notável realização da diretora Maria Augusta Ramos deixa claro, ao final, a conexão do impeachment com a prisão de Lula, ambos os crimes perpetrados em padrão de execução do nível dos milicianos, para tornar o golpe redondo. Contudo, a ferida aberta propiciará novos e imprevisíveis capítulos em que uma mão invisível virá em busca do pescoço dos verdadeiros culpados pelo atentado à democracia. Basta observar o que ainda está acontecendo com a ditadura militar, parece uma maldição que nunca finda destruindo a reputação dos descendentes de torturadores e com o passado de seus mandantes fardados.

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