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PRECONCEITO

Severino tem reclamado de preconceito contra sua esposa, a mais feia no painel das celebridades políticas de Brasília, se somado o peso acima do que a roupa mal consegue cobrir. Perto dela, a Camilla do príncipe Charles é uma sereia. De quaisquer formas, vã a tentativa em definir se aceitarmos a bipolaridade de tudo que compõe a vida, se o céu e a terra se alternam ininterruptamente, bem como sim e não, positivo e negativo, e beleza e feiúra.
A grosseria, no entender de Severino, começou no tratamento dado pelos chargistas que o delinearam como um macaco ou lembraram sua infância como lavador de cavalos. Não se justifica o revide por conta da mamata do aumento dos salários dos deputados, do bloqueio dos bens do corregedor da Câmara pela Justiça, de ser recebido apoteoticamente em “Pernambuco agora é o poder, é Lula lá e Severino cá”, ao som de “Eu quero mais”, seu bloco de carnaval. Farra a que não faltaram Maluf e Agnaldo Timóteo espanando as cinzas.
Quem com preconceito fere, com ferro será ferido, ô bonitão, diriam os gays, diante da lavra de Severino: “O que é ruim é fácil de proliferar, quem de bom senso defende a união de homem com homem? Desencaminha a juventude”.
Não existe feiúra, basta se cuidar que o panorama melhora. Os esteticistas afiançam que mesmo as bruacas têm jeito, está por cair o tabu do patinho feio. Não é por outra que as mulheres estão saindo em bando congestionando o mercado afetivo. Mas Dona Amélia, por ser mulher do Severino, não precisa. Corresponde à expectativa de seu marido de devotar-se à família e esquecer que existe vida fora de Severino.
Ora bolas, se não se puder falar mal, fofocar, que seja, a base que sustenta o preconceito não será demolida. O pensamento politicamente correto não tem fôlego para combater o anedotário do preconceito. As piadas e incivilidades se iniciam quando quebradas as promessas de campanha, notadamente aquelas que o levaram a se eleger e que de antemão sabia que não iria cumprir. A democracia ateniense, tão elogiada, resolvia com ostracismo ou até mesmo com cicuta.
Como não poder falar do topete do Itamar fulo com o furto da autoria do Plano Real? Da pavonice de FHC durante o seu reinado, que chegou calar Dona Ruth? Da derrota de Garotinho e Rosinha na batalha contra a obesidade que pôs suas vidas em risco? Do fato de Pitta só escolher mulher loura. Do verbo malufar ingressar no dicionário como desvio. Do olho esbugalhado de Collor. De Lula filosofar ao sabor do mito para os metalúrgicos.
Se não se puder comentar isso e aquilo à boca pequena é censura. E associar Severino à pré-história? Aí não é brincadeira, falando sério. Pernambuco, quiçá o Nordeste, declaram guerra, ainda mais com dois presidentes à cabeça do país. Odioso preconceito? Mas se o governador Jarbas coleciona miss e a práxis política de Severino consiste em ter livrado da cassação Eurico, o Salazar do Vasco.
Os preconceitos existem para serem destilados à custa de celebridades e figuras públicas que se expõem e se submetem ao crivo da opinião pública que exercita nelas tudo aquilo que assombra. Para imitar ou repudiar.

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Antonio Carlos Gaio
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