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REI MORTO, REI POSTO

Ao invés de chorar, por que não comemorar o encerramento da missão de Vieira de Mello na Terra? Foi assim pensando que Gilberto Gil convocou o secretário-geral Kofi Annan para, no atabaque, darem um show com “Toda menina baiana” na assembléia geral da ONU, em memória ao atentado cometido em Bagdá. Fazendo a platéia sambar, delirar e viver um momento inédito em ambiente tão formal, um mês depois do desaparecimento do brasileiro.
O Ministro da Cultura promoveu um verdadeiro carnaval, em favor da paz e da dignidade, brindando o seleto público com “Filhos de Gandhi”, “No woman no cry” e “Imagine”. E o governo Lula cresceu de prestígio com a festança. Quem irá agora contestar o nome de Gilberto Gil como representante máximo da cultura? Não dá para imaginar o Weffort sambando ao lado de sua namorada Heloísa Severo. Gil carnavalizou a ONU, por ser brasileiro com muito orgulho e fazer o Brasil ser levado a sério, com o carnaval como abre-alas da potência de nossa cultura. Atitude que sempre mereceu reparos da mentalidade Rui Barbosa remanescente no colunismo político. Superamos esse estágio, Vieira de Mello bafejou nosso destino.
Claro que a personalidade e a presença física do ganense Kofi Annan em tudo ajuda e costura algo impensável, se juntarmos Brasil e África no mesmo barco de levar a cultura o mais perto de todas a pessoas e através da música lhes dar mais poder. A ponto de Lula ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz diante de tanta insensibilidade de Bush em favor de guerras para manter a pujança do império americano. A vantagem do mundo globalizado é que se permite examinar com mais clareza escrúpulos nas segundas intenções de governantes preocupados somente com propostas armamentistas e seu poder de coerção.
Será que Vieira de Mello ficou triste de não poder participar do arraial armado, ao lado da sua argentina? Ou exultou, porquanto sua morte inspirou a ONU a continuar na busca pela paz, caminhando contra o vento, sem lenço nem documento? Ou ficou deprimido com a heresia da zorra? Da realidade cruel com que a morte nos retira da ilusão de permanecer desfrutando do grande espetáculo da vida. E de nos resignarmos com rei morto, rei posto. Se humildes formos. Caso contrário, a vingança, o inconformismo e o amargor se instalam e aí principia a morte em vida.

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