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SOMBRA PESA NA CONSCIÊNCIA DO PT

O maior escândalo que assolou o PT foi o do mensalão. Todavia, o assassinato do prefeito petista de Santo André, Celso Daniel, em 2002, permanece como um cadáver insepulto. A vítima era eminente, cotada para ser ministro de Estado do governo Lula. Objeto de sequestro e tortura ao longo de mais de 24 horas de cativeiro, seu corpo foi abandonado em uma estrada de Juquitiba (periferia de São Paulo), crivado com oito tiros.
Imbuído da função de arrecadar recursos para abastecer o caixa dois do PT e financiar a candidatura de Lula, como um dos seus coordenadores de campanha, ele teria descoberto que Sombra, seu principal assessor, desviava para o seu bolso parte do dinheiro extorquido de fornecedores e de empresários que tinham negócios com a Prefeitura. Sentindo-se traído, Celso Daniel cobrou ideologia partidária de Sombra pelo uso indevido do dinheiro em enriquecimento próprio. Ao ameaçar afastá-lo do esquema, foi alvo de uma trama macabra para liquidá-lo, engendrada por uma quadrilha que praticava crimes de corrupção contra a administração municipal petista – a tese é do famoso promotor Cembranelli, do caso Nardoni.
Sombra estaria ao lado de Celso Daniel por ocasião do sequestro para garantir a entrega do estorvo, que redundaria na morte de mais sete pessoas envolvidas no caso em circunstâncias, no mínimo, estranhas. São eles: o líder do bando, esfaqueado na prisão quando pretendia abrir a boca, três meses depois; o amigo do líder, que cedeu a casa para organizar a execução, encontrado queimado no porta-malas de um carro, oito meses depois; o garçom que ouviu a discussão ríspida entre os dois no último jantar do prefeito, em acidente de moto, um ano e mês depois; a testemunha por acaso da perseguição ao garçom por motoqueiros, vinte dias depois, no mesmo local, com um tiro na nuca; um investigador de Narcóticos, que trocava ideias com o líder, apagado em sua casa, um ano e seis meses depois; um agente funerário, que apenas foi o primeiro a reconhecer o corpo de Celso Daniel estirado na estrada, executado ao sair de uma pizzaria, um ano e dez meses depois; ao legista que detectou sinais de tortura no corpo do prefeito, atribuiu-se suicídio em sua sala de trabalho, três anos depois. Diante desse quadro e da eliminação de Celso Daniel com requinte de perversidade, um dos seus irmãos foi obrigado a se refugiar na França com sua esposa, quatro anos depois das execuções ordenadas ao melhor estilo do tribunal da Máfia.
O sinistro Sombra se achou no direito, a título de remuneração pelo trabalho sujo de chantagear, de também fazer jus à propina. Ora, se o presidente se elege em campanha financiada por recursos de empresas sob contrato com o governo, sobre os quais não pagam impostos que reverteriam em favor da coletividade, Sombra então achou por bem tirar partido da infidelidade que grassa na vida partidária e consolidar seu futuro. Mandando para a cucuia a ideologia partidária e o prefeito Celso Daniel, de tal forma que chega a fazer sombra no escândalo do mensalão. Pelo rosário de assassinatos em série e pela imagem do prefeito com o corpo inerte e estendido no chão. 

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