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BARBARIDADE, TCHÊ!

O Brasil poderia estar desfrutando de um estágio superior de padrão de vida se não fora o obscurantismo do colonialismo português em proibir escolas superiores, fábricas e até teares, embora produzisse muito mais riquezas do que a metrópole. Para José Bonifácio ser aproveitado como o primeiro ministro brasileiro, levou 36 anos queimando a mufa e dando seu sangue ao reino em Portugal. Voltou cheio de idéias como liberdade para os índios, uma biblioteca e uma tipografia em cada capitania, a subdivisão da propriedade territorial, a extinção da escravatura – incorporadas à Constituição do Reino Unido, que elaborou. D. Pedro I fechou a Assembléia Constituinte e o prendeu na Fortaleza do Lage, preservando o regime escravagista por 64 anos -meros objetos dos quais o senhor dispunha dos direitos de vida e morte.
Procrastinado, atuou como fator de perturbação na substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre, ante o êxodo das massas trabalhadoras para os grandes centros no regime republicano. Agravado pela falta de interesse em criar escolas públicas e liceus nas sedes de todas as comarcas. O império encerrou suas atividades deixando insolúveis os dois maiores problemas nacionais: a organização da classe trabalhadora e a educação.
O mesmo sentimento que norteou a Revolução Farroupilha (1835/45), distorcidamente considerada separatista, por clamar respeito aos costumes do povo, o usufruto de seus recursos e autonomia de seus governantes num regime federativo. Ungido e inspirando por Deus, o poder central estaria sujeito a questionamentos com o intuito de servir a uma população de 90% analfabetos e um de quatro milhões escravos.
Uma antevisão da república e do fim do escravagismo, ainda imberbes para confrontar os conservadores, defensores do império, e os liberais, favoráveis à monarquia parlamentarista. Mas superou o bestunto da Corte, contornando a abundância de carne e a impossibilidade de conservá-la com o advento do charque, já que as vacarias empreendidas destinavam-se à obtenção de couro e sebo. Afinal de contas, milhares de cabeças de gado migradas da Argentina espalhavam-se pelo pampa. O surgimento das estâncias colaborou para dar a forma final ao churrasco gaúcho.
O que encheu a barriga e alimentou o imaginário rio-grandense a evoluir por entre costela, paleta e matambre, fazendo entrar em erupção o vulcão Getúlio Vargas, a influir nos destinos dos trabalhadores do Brasil 100 anos depois.
19 anos no poder desencadearam uma intervenção branca no céu de brigadeiro da massa remediada à custa do mínimo do salário. Levando-o a se suicidar e transformar-se num fantasma, ainda não enterrado, que vagueia pelo imaginário de políticos que tentam surfar numa onda trilegal, em nome de um populismo equivocado. É a república dos marajás, do pão de queijo, todo mundo tem um pé na África nessa hora, se declaram crentes no combate à desnutrição desviando recursos de hospitais públicos depauperados – possuem a mesma valência.
Por que tamanho medo em ter elegido um presidente-operário? Barbaridade, tchê!

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Antonio Carlos Gaio
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