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CAFÉ SOCIETY

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Por vezes, os críticos de cinema e os chamados expert enchem nossa paciência. Ouço, desde os anos 90, que Woody Allen só faz se repetir. Quando o que seu público (enorme) quer é mais da suposta mesma coisa. Retornar a concepções que já conhecemos, mas que parecem estar lá pela primeira vez. Porquanto filmes do gênio Woody, ainda muito acima de quase tudo que se tem visto. O pior é que a mesma chateação é repetida ad nauseam a respeito de Almodóvar por essa gente pedante, desagradável e frustrada – os dois maiores cineastas do globo terrestre pelo conjunto da obra nos últimos 30 anos, pelo menos. Como é bom voltar ao glamour da América dos anos 1930 e 40 reunindo estrelas de cinema, diretores e produtores famosos, socialites, políticos e gângsteres, a família judia, os bem-sucedidos e os fracassados, e os figurantes anônimos que buscam um lugar ao sol! Com a trilha sonora mais espetacular de todas as películas de Woody Allen – a maior parte de Rodgers and Hart. “Manhattan”, “My funny Valentine”, “Bewitched”, “The lady is a tramp”, “I didn’t know what time it was” (Benny Goodman), “Taxi war dance” (o magnífico Count Basie), “I wish I were in love again”, “Falling in love with love”, “I only have eyes for you”, “This can’t be love”, “Wait till you see her”, “I could write a book”, “My romance”. Todos esses títulos a refletir o amor no formato mais romântico possível, oriundo logo de um cineasta de 80 anos, na ensolarada Los Angeles e suas mansões hollywoodianas, na iluminação obscura de night-clubs, a retratar a excelência da fotografia do italiano Vittorio Storaro, o mago da luz que usa as técnicas dos quadros de Caravaggio. O amor dividido entre a escolha do que é melhor para se guiar: se pela segurança, que não provoca maiores sobressaltos e realiza alguns aspectos em particular do interessado, ou se pela inevitável incerteza do futuro, que nos faz pensar que a paixão, em contato com tantos fatores mundanos, é a porta da felicidade. A leitmotiv do filme se baseia na singela dor da escolha que implica, sempre, na penosa renúncia, tendendo para um dos lados ao dar o seu veredicto, o que o deixará infeliz para o resto da vida, só lhe sobrando os sonhos, se optar pela segurança. Se optar pela paixão, a insegurança dos nervos sempre à flor da pele regidos pela posse em taxas elevadas.

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