Mais um que não sabe que é espírita. Embora, curiosamente, conheça uma grande porção dos fundamentos. Eduardo Dusek, cantor, compositor, pianista e showman, surgiu na cena em 1980 cantando o fim do mundo na música “Nostradamus”, prenunciando o que estaria por vir. Ele sempre soube que viver é urgente, mas após o diagnóstico de Parkinson em 2014, o desejo se tornou ainda mais evidente. O bom humor e o rasgado deboche, características ímpares de sua carreira artística, se mantiveram. Não reclamar do destino, deixar mágoas no passado e exercer o amor no cotidiano, pilares do Espiritismo, viraram lemas na nova vida.
Contudo, a música já estava lhe dando nos nervos, à medida que sua inspiração começava a secar. Compunha, mas sentia a musicalidade perder-se no infinito. Eis que sobreveio a pandemia e se alia à doença de Parkinson, quando Dusek passa a dedicar-se à pintura, até em razão dessa atividade ajudar no tratamento da doença. A pintura acaba por dar sustentação à música, compondo uma canção inédita com Caetano Veloso – “Minha praia é você” (uma louvação à beleza amparada pelas riquezas do mar).
Eduardo Dusek adota como critério para dar o quadro como pronto no momento seguinte a ele achar que não é o autor daquela obra. O desapego autoral o leva a abandonar a sua criação e deixá-la alçar voo por conta própria através da janela aberta para o Universo.
Apesar da rigidez e tremor nas mãos, sentia um prazer imenso em desenhar uma linha reta com pincel. Doença, para ele, ilumina e é fator de evolução, não cabendo lamentar “Por que eu? Coitado de mim!”.
Faz anos que não se olha no espelho, no máximo uma olhada rápida, por ele não ser exatamente aquilo que reflete, ou seja, bem envelhecido. Já que continua de mente aberta, no seu parecer, observando todavia que “ego é uma coisa chata, tem que dar direção para o ego calar a boca”. Parkinson o ensinou a não pensar que só existe você no mundo, a tirar o ego do centro e assumir sua ligação com o Universo, pois Deus é tudo e não para de enviar inspiração e saúde.
Confessa até gostar de Parkinson, que lhe deu dignidade e bem-estar graças à atitude positiva que adotou, quando era implacável consigo, não se perdoava, nem pedia desculpas às pessoas ou ao Universo. Deixou de se colocar no lugar de vítima.
A ducentésima septuagésima sexta intervenção espiritual, em 30 de outubro, se iniciou com cânticos no intuito de abrir caminho para os espíritos curadores, prosseguindo com a leitura de “Fonte Viva”, 4 (“Cada qual”), de Chico Xavier pelo Espírito Emmanuel, e estudo preliminar do capítulo 12 (“Amai os vossos inimigos”), item 14 (“O duelo”) do livro de Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”.
Hoje Dusek tem amor pelas pessoas do seu dia a dia, mesmo pelos que tentaram reduzi-lo a zero: “Demorei para alcançar esse estágio. Era revoltado e me achava injustiçado. A carreira de showman naufragava. Queria tudo que não tinha”.
Foi quando reconheceu um vazio eterno que não conseguia preencher. Uma angústia que não se assossega. Quando nós nunca iremos ter tudo. Podemos até ter uma falsa impressão em determinadas fases da vida. Viver é urgente, mas há que acordar cedo e aproveitar o dia todo para resgatar nossa espiritualidade. Procure sentir os sinais que os Espíritos lhe enviam – Dusek está aproveitando. Mas falta dar um basta nas ações malévolas provocadas pelo ego, nosso maior inimigo. Nós mesmos!
Que grande enredo esse de nosso Criador para semear espiritualidade!
CAPÍTULO 276 – EGO É O INIMIGO A SER COMBATIDO



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