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CAPÍTULO LVII – HÁ QUE SE QUEIMAR ETAPAS POIS É UM CAMINHO SEM VOLTA

Perguntam-me se minhas palavras desdobrando a poética de Kardec, incursionando por Jesus Cristo e a Bíblia, são minhas ou copiadas de “O Evangelho segundo o Espiritismo”. Vou lhes dizer como faço. Por vezes transcrevo Kardec ipsis litteris, ou reorganizo suas incursões, ou misturo suas palavras às minhas, ou me sirvo dele, com todo o respeito, para evoluir por minha própria conta tendo ele como referência. Casamento esse de que me valho para crescer espiritualmente e que, por isso, não abro aspas para distinguir o que é dele e o que é meu. O faço também na doce pretensão de trazer suas sábias palavras para o dia de hoje em outra vestimenta e propiciar um outro alcance. De forma a minha caravela tomar seu próprio rumo soprado pelo forte pulmão de Kardec, cheio de gás e esperança, amém! Ainda mais que, passados de sete a dez dias da elaboração do texto, me é impossível distinguir, para informá-los, o que é meu e o que é de Kardec, tamanha a integração. Prefiro consagrá-lo a Kardec no lugar de seu humilde discípulo e escriba. Em tempo, recomendam-me para não relaxar no tratamento.

A quinquagésima sétima intervenção espiritual, em 25 de maio de 2018, se iniciou com cânticos no intuito de abrir caminho para os espíritos curadores, prosseguindo com a leitura e comentários sobre o item 4 (“Os infortúnios ocultos”) do capítulo 13 (“Que vossa mão esquerda não saiba o que faz vossa mão direita”) do livro de Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”.

Nas grandes calamidades, a caridade se manifesta e veem-se campanhas nobres e generosas para remediar os desastres. Mas, paralelamente, existem infortúnios ocultos, milhares de tragédias particulares que passam desapercebidas, como o caso de pessoas que jazem num leito de dor sem se queixarem. São a esses desventurados anônimos, discretos e ocultos que a verdadeira generosidade procura e abraça sem esperar que lhe venham pedir assistência. O espírito de iniciativa entra numa casa de miserável aspecto para acalmar as dores personificadas em faces enfraquecidas pois não quer outra aprovação senão a de Deus e da sua consciência, com ele recomendando que não digam nada a ninguém, quem os ajuda, acolhe e provê.

A amizade de meus avós com Chico Xavier começou no início dos anos 1930, quando Chico viajava de Pedro Leopoldo ao Rio para levar à Federação Espírita Brasileira (FEB) os originais de seus livros psicografados. Meu avô, um dos diretores da federação, já manifestava interesse em ajudá-lo em suas ações beneficentes, antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente, repercutindo na amizade, no afeto e no tratamento carinhoso que Chico passou a dar ao meu avô, como “pai”, e de “mãezinha” à minha avó. A Fundação presidida por meu pai nos anos 1970 passou a publicar seus livros psicografados. Em 2017, a Fundação atendeu gratuitamente 244 mães, 725 crianças e 240 idosas.

Poder captar os fluidos dessa espiritualidade é motivo de imenso júbilo e paz para mim. Desejava há muito tempo me aproximar cada vez mais de meu pai, de meu avô e de minha avó, mas há que se queimar etapas, compreendendo os obstáculos que se me aparecem, pois é um caminho sem volta. Como o do conquistador do México, o espanhol Hernán Cortés, que queimou as caravelas nas praias do território asteca para que seus soldados não pensassem em fugir retornando ao Velho Continente. A lenda que reforça a incursão em direção ao autoconhecimento e alargamento das fronteiras da espiritualidade.

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