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CAPÍTULO LXIV – LIVRE-ARBÍTRIO

O livre-arbítrio dá mostra, superficialmente, que você pode fazer tudo que quiser. Até matar, para alguns que pensam ficar impunes. Só que não é bem assim, pois você tem de arcar com as consequências, seja um mau passo ou mesmo a partir de uma atitude que tomou diante da necessidade de optar por um caminho que tinha de escolher. Complexo é por mexer com a nossa trajetória, de poder implicar em rompimentos, ele que foi criado por Deus de encomenda para que a gente se exponha, construa o nosso caminho, dizer a que veio, errar, errar muito, e sofrer a dor da perda consequente ao erro. Ser julgado pelos seus atos, a prova viva de quem você é. Mesmo não acreditando nisso, então por que existe a culpa? Olha aí a elasticidade mental! Vá você viver como bem entender, sem dar satisfação a ninguém! Se existe a angústia, a ansiedade, os tropeços sem fim e, portanto, não somos tão livres assim conforme preconiza o livre-arbítrio, sujeito à Lei do Retorno ou da Ação e Reação ou do perdão levá-lo a rever seus atos por absoluta inutilidade de manter o ódio. E como se organiza isso tudo com toda essa liberdade de movimentos? Ao Deus dará é certo se compreendido ao pé da letra, só que usualmente a expressão pressupõe que a situação corre frouxa, na maior desordem ou caos. O que, à primeira vista, é como muitos veem o mundo a reclamar de Deus; se é Deus, por que não interfere, intervém ou atua para evitar tamanho acúmulo de pecados? Por causa do livre-arbítrio, e você, como único responsável pela sua trajetória, deve tratar de evoluir e desenvolver seu espírito, mesmo que sua contribuição seja aparentemente modesta. O mundo interior de cada um é tão grandioso como o próprio Universo. Graças ao livre-arbítrio, essa dádiva divina que nos é concedida quando somos concebidos. Dádiva poderosa e de alcance imponderável a comprovar que somos filhos de Deus em matéria e espírito.

A sexagésima primeira intervenção espiritual, em 3 de agosto de 2018, se iniciou com cânticos no intuito de abrir caminho para os espíritos curadores, prosseguindo com a leitura e comentários sobre o item 11 (“A beneficência”) do capítulo 13 (“Que vossa mão esquerda não saiba o que faz vossa mão direita”) do livro de Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”.

Pudésseis, meus amigos, não ter outra ocupação senão a de fazer os outros felizes! Como é maravilhoso encontrar alegria nas impressões daquele onde, no momento anterior, só havia desespero! É na caridade, fazer bem aos outros, que deveis procurar a paz no coração, o contentamento da alma, o remédio contra as aflições da vida. Quando estiverdes a ponto de acusar a Deus por esse mundo inglório, lançai um olhar sobre a miséria que há por aliviar e sobre as pessoas desamparadas. Não vos lamenteis e distribuís à vontade vossa simpatia e compreensão emanadas de seu espírito beneficente a todos que se enfraquecem no sofrimento e na solidão.

Muitos à boca pequena declaram: “Somos tantos na Terra que Deus não pode cuidar de cada um de nós”. Assim distante Ele parece estar justamente por vos deixar por conta de vosso livre-arbítrio. Colocando no fundo de vosso coração uma sentinela vigilante que se chama consciência. Escutai-a, interrogai-a, e com frequência achareis consolo no conselho que dela tiverdes recebido. Cuidado para não a entorpecer opondo-lhe o espírito do mal, pois ela se cala. Mas voltará a se manifestar se perceber em vós a sombra do remorso, do reconhecimento de seus erros.

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