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DIALÉTICA

Vai entender a cabeça do eleitor carioca que elegeu Cesar Maia como prefeito em 1992, dando início à defenestração do brizolismo no Rio de Janeiro. Depois ungiu Conde nas urnas, sua continuação, a exemplo de Pitta do Maluf. Em 1998, a criatura se voltou contra o criador e o eleitorado se dividiu quase que salomonicamente. Agora se aproxima um novo confronto e o eleitor de Conde ameaça migrar de novo para Cesar, no desconforto com o vice da Rosinha. O que levou Garotinho, morrendo de preocupação, a matar Brizola do coração ao lhe oferecer a candidatura do Conde, na seqüência de “quem matou Lineu?”, de olho no espólio de Brizola. O que explica Rosinha ter caído em prantos no velório, pois Brizola representaria um avozão que a colocaria no colo para agüentar os rojões de inimigos políticos e traficantes.
Vai entender a empáfia da seleção francesa em campo, que só joga na conta do chá na certeza de que a vitória é líquida e certa. No frisson de superar os brasileiros no ranking, em nome da Europa, esqueceu-se de fazer o dever de casa ao não olhar para os próprios pés. Até ser brindada com um presente de grego, obrigando-a a mais um imprevisto regresso ao lar .
Vai entender os EUA que, ao invadirem Afeganistão e Iraque, presentearam Osama bin Laden com uma onda antiamericanista grassando no mundo a incitar os muçulmanos a atacar a América armada. Já se afigura uma derrota como a do Vietnã, os grupos muçulmanos insurgentes não têm nada a perder, senão defender o seu solo sagrado, suas crenças e o modo de vida oposto ao dos americanos. Se Bush perder as eleições, a vitória será de Alá. Haverá carnaval no deserto.
Vai entender a psicologia do Felipão, que só gosta de vencer matando o torcedor do coração. Conseguiu reverter o torcer de bigodes dos portugueses e uni-los em torno do meu Portugal querido, somente não se tornando um mito porque havia uma Grécia no meio do seu caminho. Começa escalando o time pior para expor os medalhões ao ridículo, depois vai substituindo ao longo dos jogos e compondo a equipe, quando instala uma competição saudável entre titular e reserva. Joga o melhor de acordo com as vitórias obtidas, restando ao barrado entrar nos minutos finais para provar que o técnico não tinha razão. Aí recomeça uma disputa que não adianta cara feia e sacrifica romários, pisando no calo de jogadores famosos que se enchem de ares por conta da fama e estacionam.
A dialética. Hegel tratou como uma lei que caracteriza a realidade como um movimento incessante e contraditório, condensável em três momentos sucessivos – tese, antítese e síntese – que se manifestam simultaneamente em todos os pensamentos humanos e em todos os fenômenos do mundo material. Elio Gaspari, em seu livro “A Ditadura Encurralada”, abre o baú da História e levanta imprecações do General Geisel contra uma ditadura de botocudos em que havia um governo paralelo comandado por SNI’s, DOI’s, CODI’s, organizações espúrias que prendiam quando e quem eles queriam. Sujando a farda de uma instituição de honra. Ou se consertava essa geringonça, ou então era melhor fechar. Fora eleito pelo Congresso, não iria ficar quatro anos agüentando besteiras de coronéis, majores e capitães, sustentado por baionetas do Ministro do Exército. Acuado, Geisel gerou a antítese.
No golpe de 1964, a tese, com a ameaça dos marinheiros ocuparem o lugar dos almirantes, dos bóias-frias desapropriarem os fazendeiros e dos empregados pretenderem ser patrões. A justificar a deposição de Jango Goulart da presidência e não realizar as eleições, os militares se encarregariam de construir um “Brasil pra frente”. Livre da corrupção, do radicalismo e da balbúrdia. De lá para cá, tudo mudou, o comunismo acabou, o volume de desempregados aumentou e no informal a economia cresceu.
Vai entender a síntese. O racionalismo da fórmula anticomunista foi contraditado pela prática de tortura e execuções própria de uma ditadura, ensejando a dialética. A única maneira pela qual podemos alcançar a realidade e a verdade, procurando preservar o que ficou de melhor no confronto de idéias. O ponto de partida para o indivíduo se transformar ao invés de negar-se para autodestruir-se. O espírito da coisa.
Lógico, não? O que é a lógica, senão a vida do Espírito?

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