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GUERRA DA LIBERTAÇÃO

Os Estados Unidos, como nação de guerreiros, foram batizados numa guerra de colonos contra a poderosa Inglaterra do fim do século XVIII, sacramentando uma veneração mítica de seus ídolos no campo de batalha e contribuindo para cunhar o caráter nacional americano. Guerra, rifles e socos sempre constaram do aprendizado da cidadania de gerações de americanos nos últimos dois séculos. O circo dos horrores de conflagrações armadas está presente em memoriais espalhados pelo mundo inteiro. A indústria do entretenimento explora esse traço cultural em músicas, filmes, na literatura, a cultura pop por excelência, que serve de veículo de propaganda e divulgação de sua ideologia. Uma ode à democracia ou imperialismo?
Chegaram ao ponto de reservar um feriado nacional para reverenciar os que morreram pela pátria – Memorial Day -, tantas foram as revoluções, conflitos e disputas em que se meteram. Fato de que seus descendentes se orgulham, desde a Guerra da Secessão que dividiu os EUA e obrigou-os a matarem entre si. Uma guerra civil interpretada como a propulsora de uma cultura que faz a ligadura de etnias, religiões, línguas e costumes que só encontram a sua verdadeira expressão libertária em seu território.
Se rodarmos a moviola para exibir as epopéias americanas do Iraque para a Guerra da Independência, do presente para o passado, encontraremos a Guerra do Golfo, a derrota no Vietnã, Coréia, a bomba atômica no Japão, o nazifascismo, Alemanha, Itália, 1ª Guerra Mundial. A Guerra Hispano-Americana de 1898, em que toma o que restava do colonialismo espanhol (Cuba, Porto Rico, Filipinas) e a Guerra Mexicana de 1846/48, de quem se apodera de metade do território (Califórnia, Nevada, Utah, Arizona, Novo México, Colorado).
A guerra representa um dos mais intrincados dilemas que o ser humano tem por vencer na sua evolução. Já observava Clausewitz, o famoso general prussiano da época napoleônica, antecessor dos falcões: a guerra representa a continuação da política por outros meios. A guerra acompanha a humanidade desde os tempos primitivos, seja movida pela ambição que reafirma a agressividade em busca de prestígio, seja político-ideológica como a Guerra Fria, que deixou o planeta por um fio. O fim dela e o advento da globalização estão apenas transformando o formato dos conflitos armados, e não evitando a sua eclosão.
Os pensadores da direita, agora agrupados no Partido Republicano de Bush, concebem a guerra como uma arte, a arte de vencer com equilíbrio e precisão cirúrgica de humilhar o adversário e diminuir os prejuízos causados à população civil. Uma atividade natural exercida por uma casta de homens superiores.
Outros argumentam na linha do homem é lobo do homem. Um fenômeno inevitável vinculado à natureza humana instintivamente agressiva, que escreve a sangue frio a lei do mais forte – somos nós ou eles. O confronto de duas forças antagônicas em que o caráter violento somente acentua, a guerra é um mero pretexto para o desforço.
Seja ela feudal ou dinástica, imperialista ou de libertação nacional, revestida de ideologia ou religião, a sua conseqüência sempre implicará no aumento da exploração do trabalho do povo derrotado e um gigantesco empuxo na economia do dominador.
Uma forma disfarçada de se apropriar do que eu mais desejo e que só você tem, a tal da guerra da libertação.

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