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MENINO 23

Menino 23

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O filme de Belisário França nasceu quando o historiador Sydney Aguilar foi informado que havia centenas de tijolos estampados com a suástica, o símbolo nazista, na fazenda de Campina do Monte Alegre, em São Paulo. A investigação descobriu a remoção nos anos 1930 de 50 meninos negros e órfãos do Rio de Janeiro para a fazenda de propriedade da família de Osvaldo Rocha Miranda, ligada ao pensamento eugenista (integralista e nazista). Lá foram explorados por dez anos em regime de escravidão e isolamento, a ponto de privá-los do uso de seus nomes, substituindo-os por números. Época da Constituição de 1934, que incluiu teorias de eugenia e pureza racial logo num caldeirão étnico como o Brasil. Quando o Brasil se preparava para mandar a Força Expedicionária Brasileira para lutar na 2ª Guerra Mundial na Itália, um deles fugiu com o capitão do mato no seu encalço, mas não o alcançou; foi o mais feliz, se é que se pode afirmar isso. Outro por lá ficou, sem perspectivas, por não ter futuro em liberdade. O último foi criado na Casa Grande, pensando ser um dos filhos e herdeiro; quando descobriu qual seria o seu lugar, afundou em sua triste sina. A realidade no século XXI ainda revela a continuidade da exploração de trabalho escravo pelo não reconhecimento de direitos trabalhistas, praticada por parte da bancada rural com presença no Congresso que explora o agronegócio, ratificando a permanência do racismo e da discriminação no seio da nossa sociedade, como se ainda perdurassem os tempos da Casa Grande e Senzala.

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