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PRÊMIO NOBEL DA PAZ CONTRA O ESTUPRO

Nadia Murad tinha 21 anos quando foi sequestrada pelo Estado Islâmico (EI) em 2014, em Kojo, no norte do Iraque, junto com milhares de outras mulheres e meninas da minoria yazidi – curdos que praticam religião de raízes pré-islâmicas. Todos os homens – incluindo os seis irmãos de Nadia – foram executados, dando curso à limpeza étnica de quem não professava o islamismo.
Vendida a um juiz do EI num mercado de escravas, Nadia foi estuprada várias vezes, sendo espancada se fechasse os olhos. Quando ela tentou escapar pela janela, ele ordenou que ela tirasse a roupa e mandou seus guarda-costas fazerem fila para estuprá-la.
O que interessa é que Nadia conseguiu fugir e tornou-se uma poderosa voz das mulheres que sobreviveram à escravidão sexual imposta pelos extremistas muçulmanos, ao não procurar esconder sua identidade e recusar-se a ser silenciada e estigmatizada, insistindo para que a fotografassem e conhecessem sua história de sofrimento e de outras mulheres violentadas pelo EI. Embarcou numa campanha mundial e, perante o Conselho de Segurança da ONU, o Congresso americano e o Parlamento britânico, dissecou o drama das mulheres voltando do cativeiro para as suas antigas vidas, bem como lutou para que esses degradantes homens sejam julgados por seus crimes, desde que reconhecido o genocídio de seu povo.
Prêmio Nobel da Paz em 2018 para Nadia Murad, de 25 anos, armada apenas da palavra e de vontade férrea, por resgatar a memória de milhões de mulheres que foram, ao longo da História, maltratadas, seviciadas, desumanizadas e mortas em meio a guerras e conflitos armados, nos quais possuí-las foi a marca indelével da tentativa de conquistar sua alma.
Igualmente, Prêmio Nobel da Paz em 2018 para o ginecologista de 63 anos, Denis Mukwege, que em seu país, a República Democrática do Congo, considerada a capital mundial do estupro, trata de tiros desferidos nas vaginas e de queimaduras nas nádegas das mulheres, bem como de crianças nascidas após estupros. O sexo devastado para ser inutilizado, negando-lhes, pois, o prazer. Quando não é um problema só da África, é da humanidade inteira, diz o doutor, já alvo de um atentado.
Ambos com o objetivo de pôr um fim definitivo ao uso do estupro em massa como instrumento de guerra para desmoralizar o inimigo, o tipo da violência atávica que não só continua existindo no século XXI, como prossegue a ser incitada no Brasil.
Um sonoro “Ele Não!” das mulheres, em uníssono, que não mais hão de sucumbir às cicatrizes da violência sexual, silenciando o silêncio.

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