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QUE TIPO DE ESPERANÇA VOCÊ PROJETA NO AMOR?

A edição de 15 de dezembro de 1929 da revista La Révolution Surréaliste já levantava essa questão que, por sua complexidade e interesse, perpetua-se pela eternidade, porque é tão complicada quanto o sentido da vida, formando significados e bordados impressos da existência por ser o alento detonador do egoísmo, praga suprema da espécie e originador da estupidez.
É o amor que põe em xeque nossa alma, quando a depauperamos ao infantilizarmos o afeto e acionarmos a pletora de emoções que disfuncionam e destrambelham o amor, comprometendo a estrela de quinta grandeza que somos, pelas nuvens que almejamos alcançar. Acreditamos que a força energética que move o universo é uma espécie de fatalidade por um compromisso inarredável com a beleza, graças a seu poder de síntese, de encantamento e de musicalidade. Ao nos rendermos a um impulso cuja natureza desconhecemos. O mesmo impulso que nos porá a trabalhos forçados na velhice – a rotina -, ao isolamento na torre de um castelo, a suspirar nostalgia.
A angústia não perdoa, invade. Ao não encontrarmos respostas para as grandes questões da vida. Ao não conseguirmos pensar claro e contestar idéias simpáticas ao egoísmo. Tomados por um estarrecimento que revela quão longe nos encontramos da realidade, em que se acredita que nascemos pra isso: alegrar-se até a exaustão numa lúdica paixão, tantos os destinos e as aventuras que povoam a imaginação, tantos os cúmplices nessa inquietação fundamentalista na busca de se adaptar ao mundo. Mal adivinhando que, quando iniciamos essa escavação arqueológica para descobrir o fio da meada, brotam tamanha hipocrisia, superficialidade e indiferença nas relações amorosas, familiares e sociais.
Por fraqueza e na tentativa inútil de abreviar o tempo, evitamos esse confronto ou responder à queima-roupa a essa pergunta muito simples, consagrando a mediocridade num jogo de palavras sem sentido que apenas ocupa o espaço para impedi-lo de fazer essa e outras demandas que de nada adiantariam.
Eis que um casal se posta no sofá, conversando com outras pessoas, ele à frente e ela recostada no fundo. O marido era quem emitia opiniões, a essência do pensamento ditada por ele, cabendo a ela repetir suas últimas palavras como um eco. Ela encarnava apenas o refrão do verso, deixando os interlocutores constrangidos. Tragicômica a indiferença dele por ela, e dela por ela mesma.
Ele precisando que seu discurso ressoe para manter o egoísmo de pé, distante das vaias que começam a se acercar. A ela restando a companhia insossa e estéril que um faz ao outro, numa incomunicabilidade só que soprou o relacionamento pros cafundós e apagou as esperanças em que projetaram o amor.

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Antonio Carlos Gaio
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