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SER ATOR NÃO É BRINCADEIRA

Desde que interpretou o cowboy gay em "Brokeback Mountain", Heath Ledge ficou afetado com a repercussão do sucesso. Como “Casanova”, já não deu certo. Dentre seis atores que vivenciaram Bob Dylan em “Eu não estou lá”, mostrou-se ausente. Quando chegou a vez de ser o Coringa do Batman no sugestivo “Cavaleiro das Trevas” – o palhaço louco e psicótico -, pirou. Às voltas com a direção de um filme sobre o cantor britânico Nick Drake, que morreu prematuramente aos 26 anos, tema, aliás, de seu primeiro e único curta-metragem, Ledge foi encontrado sem vida, no chão. Se suicídio ou overdose de heroína ou pílulas para dormir e combater a depressão, o fato é que a estrutura psíquica dos atores pode ser brutalmente atingida com determinados papéis, ao misturarem ficção com a sua realidade mal resolvida e descrerem da experiência lúdica em encenar, como epílogo de suas carreiras: os filmes não são de mentirinha e o cinema copia a vida como ela é.

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