Ela adora um dedo de prosa. Quer dizer, se lhe dão um dedinho mindinho de prosa ela já quer o braço. Palavras são pra ela os abraços que lhe faltaram em criança. O problema é que ela não é mais criança. Muito pelo contrário. Já até se aposentou. E hoje, que tem ainda mais tempo pra prosear, e contar suas tantas histórias que a deixam prosa, os braços e ouvidos alheios estão sempre com pressa, nessa vida atual que a estressa. “Era tudo tão diferente antigamente”, ela pensa. “Não sei mais pra que viver. Não sirvo pra mais nada…”
“Ela não sabe de nada, tadinha. Tanta coisa que no lugar dela eu faria… Tão cheia de idade, mas que maldade, tão criança…” A filha pensa, mas não tem muito tempo pra pensar não. Tem que correr atrás do prejuízo. “Bora trabalhar”. E a proseadora lá, buscando conforto nas palavras tolas do celular…
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