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BALANÇA DO TEMPO

Se você pensa que tô morta
porque tenho andado fora das redes,
saiba que aquilo que importa
dispensa fotos nas paredes.

Tenho sentido tanta sede
que não dá tempo
de pensar em beber água.
O verbo vem antes da palavra.

Tenho descoberto que minha intensidade
não é maldade, nem vaidade.
É apenas uma verdade
com a qual tenho que lidar.

E o perfeccionismo que há
junto com uma profusão de novas ideias
me fazem sempre parar o processo criativo no lugar
em que aquele poema já passou de época
e rapidinho já chegou outro melhor.

O ponteiro do relógio gira
e um novo acontecimento me pira
e muda algo aqui dentro
que me tira o gás para o assunto anterior.

Perco logo o interesse em seja o que for
só pra rimar pro mundo o que tô vivendo,
o que escrevo e como tá sendo
tão bom e tão forte
viver este novo segundo de vida.
Mas não cabe editar conteúdo a fim de viralizar
Com tudo virando meu mundo
de pernas pro ar.

O norte me convida a caminhar
sem parar pra filmar meus passos.
Só tenho tido tempo pro choro e pros abraços
e espaço na agenda pra faxinar meu quarto,
já que a poeira é como os dias
que não param de marcar meu corpo
e minha casa como rugas.

A rotina me suga e me leva
e nada lava ou me livra
da poeira cativa do tempo
dos carimbos da vingança dos acontecimentos.

A gente insiste em limpar,
disfarçar, esconder
debaixo do tapete da maquiagem,
das plásticas e outras vaidades,
mas não dá pra retroceder
com intervenções de natureza humana
ou de inteligência artificial.
Já foi.

Nem digo que simplesmente é assim
porque o verbo ser e todo infinitivo,
soa como infinito mal visto,
parece que exige conjugar um tempo
que não mais existe nos calendários atuais.

A sensação é essa:
é como se a pressa generalizada
deste nosso novo modo conectado de vida
me fizesse perceber o tempo
que nem os vídeos de Tik-Tok.

No primeiro átimo, o ato convida ou dispersa
e a gente embarca depressa num novo roteiro
vivendo o tempo inteiro como autores e atores teatrais,
diretores de filmes geniais
que duram menos que um curta cinematográfico.

E por mais que muita gente curta o que a gente posta,
muitas vezes se surta por trás dos panos,
ou como se diz, neste plano,
nos bastidores dos Reels
no offline que ninguém viu.

É tanta vida e criação artística envolvida
que na balança do meu tempo
o fazer sempre pesa mais
do que o publicar nas mídias sociais.

Como administrar as horas
pesando o tempo de fora
e a sensação de tempo de dentro?
O movimento natural dos dias
e as necessidades fisiológicas
nada lógicas de sobreviver?
Nos cutucando com o que temos que fazer
que nos exige sempre mais do que a gente pode dar?

Ou a gente explode e se fode
e surta num curto-circuito vicioso
ou a gente para e começa a contar os segundos
de acordo com o que nos é possível. E só.

E este só já é tanto…

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Antonio Carlos Gaio
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