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CÉU DE BRIGADEIRO

Que céu de brigadeiro nada, o mar não está pra peixe e a terra há de engolir os que contra ela pecam, maldiria um crente de carteirinha.
O que levou o comandante Rolim a desaparecer quando a TAM iria superar a VARIG e realizar vôos internacionais de mil e uma noites? O tapete mágico ele já estendia para seus clientes entrarem no avião e voarem.
O que levou Fittipaldis, Rômulo Arantes e Hebert Vianna a não se distanciarem dessas ocorrências funestas? Malgrado, ultraleves serem menos suscetíveis a catástrofes, conforme preceitua nosso Saint Exupéry, Armando Nogueira, que não vê o menor perigo.
Ao se atrair por modelos de rara beleza, que fingem se retrair ao tapete que ele desenrola para elas passarem, Diniz não teve olhos para o mau tempo na região, sequer a turbulência, o mar encapetado, o breu gélido e a hipotermia, que convidavam o azar a cercar o helicóptero que decolou desprovido de coletes salva-vidas, rumo a um heliponto sem instrumentos. Injustiça acusarem o mar de traiçoeiro se encapelado, gelado e sombrio, consciente de seu poder ele não se rebaixa a negociações, por puro sadismo em observar se prevalece a solidariedade coletiva ou iniciativas individualistas.
Foi cada um por si e Deus por todos, um salve-se quem puder, a sobrevivência falou mais alto, tanto que os que deram na praia chegaram com horas de distância um do outro. A queda não foi brusca, não ocasionou ferimentos, permitindo que conversassem sobre o que fariam em cima do helicóptero. Ao ser lambido pelo mar, o piloto entrou em pânico, viu crescer a onda que o levaria à morte. Venceu a maratona os mais aptos fisicamente, os fracos se cansaram e afundaram absolutamente sós no oceano hostil.
É por essas e outras que, cada vez mais, é verdadeiro o amor no cinema, dá vontade de pular da poltrona e entrar tela adentro. Não foi por outro motivo que Titanic e Leonardo DiCaprio ficaram famosos, graças à abnegação do amante pobre endeusando a amada Kate Winslet, quando se ofereceu em sacrifício ao iceberg on the rocks. Ele não saiu de perto dela um minuto sequer. 
O que se passa dentro dessas maravilhosas máquinas voadoras cujos comandantes desdenham das condições do tempo? O que é o morro dos ventos uivantes senão uma leve turbulência? Quem comanda de verdade, quem paga ou quem pilota? Que poder é esse que afronta o controle aéreo, o vento, as correntezas, o invencível mar, o escuro da noite, os fantasmas que assolam e esmigalham a fortaleza máscula que pensa que pode viajar a hora que bem entender? Julgam que o etéreo pertence a eles, que dominam o ar que respiramos.
O que fazem esses homens com suas vidas? Tão ciosos de poder, a ponto de confundir mega com meiguice. O poder nas alturas divorcia do amor na terra, tornando-os extremamente fugazes, a perder de vista no horizonte com suas asas voadoras. Tanto vão longe, que, quando se vão, esquecemos dos que foram, debalde os esforços feitos em vida para marcar presença e constar de álbum de figurinhas, fichinhas perto de Vasco da Gama, Amündsen, Santos Dumont e Charles Lindberg.
Para quê discutir a instabilidade do tempo se nenhum teste de sêmen é capaz de explicar essas tragédias que se repetem para a gente não se esquecer, que, a 500 metros do litoral, uma letargia pode nos deixar mole e prestes a nos afogar, depois de nadar, nadar… e morrer na praia. A menos que Fernanda Vogel, como iemanjá, em epifania, revelasse o obscuro de que atrás de uma onda, sempre vem outra onda.

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Antonio Carlos Gaio
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