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DEGOLA

A autoria do presídio de papel é de Rosinha, a governadora. A última rebelião ocorreu na Casa de Custódia de Benfica, em que presos fizeram verdadeiras crateras na parede, por onde passavam as cabeças para conversar com parentes que estavam na rua. Depois do almoço, farmácia e hotel, construíram o presídio a um real. Os moradores das redondezas acham que tem um dedinho de Sergio Naya nessa história, afinal ele lá se encontra hospedado.
A mistura de facções de marginais – algo como juntar a máfia dos adulteradores de gasolina, da saúde pública e dos engavetadores de processos num cubículo – levou-os a se exterminarem, mutilarem, queimarem vivo e degolarem. Somente não ultrapassou a cifra de 50 mortos graças ao pastor Marcos, que conduziu as negociações a pedido dos amotinados. Um crente a serviço da evangelização de detentos e que se tornou especialista em sufocar revoltas em casas de custódia. Acusado por agentes penitenciários de operar a soldo de uma das facções, já fundou sua igreja com filiais em Coelho Neto, Duque de Caxias, São Luís do Maranhão e Maringá.
A ditadura tinha medo de que os presos políticos fizessem a cabeça dos presos comuns, graças ao seu berço que lhes deu preparo para desenvolver metodologia de ações políticas cuja inteligência os militares não alcançavam. O resultado dessa limitação foi o aniquilamento total dos comunistas, através de torturas, ratos esfomeados enfiados na vagina das que se distanciaram do forno e fogão – na sua concepção -, e lotes de infelizes jogados de aviões em pleno oceano.
Contudo, é forçoso reconhecer que houve uma evolução.
Assim como a guilhotina é o símbolo da Revolução Francesa, a degola procede do pré-islamismo, dos sarracenos com suas cimitarras. A Al Qaeda está apenas colocando em destaque um valor de sua cultura em contraste com a tecnologia de mães-bomba e aviões invisíveis. Depois que Saddam virou bichinho de estimação de Bush, que guardou como souvenir a pistola do iraquiano, a facção extremista da Arábia Saudita está promovendo uma onda semelhante à que derrubou o Xá da Pérsia e detonou quaisquer vestígios da civilização ocidental no Irã, implementando o regime dos aiatolás. Querem repetir a dose, expurgando a família real acumpliciada com os interesses americanos, e nada melhor que isso nos domínios de Alá, sob a benção de Meca.
Os bandidos, hoje alcunhados de traficantes, desceram o morro e passaram a desconhecer a demarcação que existe entre pobres e ricos. Na sua maioria, jovens, negros ou mulatos, com pouca escolaridade, sem religião, segundo levantamento com base no Censo 2000. Sem lenço nem documento, começaram por meter a mão em bicicletas, correntinhas e bolsas de praia. Evoluíram para automóveis, lojas, casas mal-muradas e prédios a demandar policiais no lugar de porteiros. Seqüestros-relâmpagos, saques a carro-forte e caminhões na estrada. Finalmente, o negócio mais rentável: o tráfico de drogas. Pelo qual justiçam e são justiçados.
A degola como elo.

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Antonio Carlos Gaio
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