Espelho, eu sou isso aí
Que estou vendo em você
Ou isto aqui que sinto dentro de mim?
Essa imagem que vejo aí
É diferente desta imagem de mim que está aqui
Dentro do meu peito
O coração tem seu próprio jeito
De ver e sentir as coisas
Não sei se sou de fato isto aqui de dentro
O que estou sentindo ou meu pensamento
Se sou isso aí que você mostra
Ou aquilo lá que falam de mim, sabe?
Ou isto, ou isso, ou aquilo?
Como posso saber ao certo?
Sei sim que tanto isto, como isso, como aquilo
Demonstram as coisas e as pessoas
Sem precisar falar os nomes delas
Isto, isso e aquilo são poderosos e universais
Quase como um Deus
Não têm gênero e todos substituem o nome
Feminino, masculino, singular
Podem substituir qualquer nome de qualquer coisa
Sem ter muito que pensar
Então, espelho, acho que você não precisa mais me responder
Cheguei à conclusão de que isto aqui
Este negócio que estou falando com você agora
É muito maior do que eu e você
É mais do que uma aula de pronomes demonstrativos invariáveis
É filosofia pura, afinal, não sou só isto aqui
Eu sou tudo isto, isso e aquilo ao mesmo tempo
E estou aqui, aí, ali e lá
Tô em todo e qualquer lugar
Sabe por quê?
Tudo depende do olhar
E de quem está a falar
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