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JUSTIÇA QUE ASSUMIU OS ARES DE UM ENTE TODO-PODEROSO

Pergunta de Enem: Por que à elite não interessa dar prioridade ao combate da pobreza e da desigualdade social e sim não mais perder os privilégios e hegemonia que o governo do PT vem lhe tirando, em consequência dessa revolução no tratamento ao povo? Onde o Bolsa Família é seu ícone. Porque esse é exatamente o motivo pelo qual deseja depor o PT do poder, disfarçado de combate à corrupção e ao comunismo que essas ideias representariam, no seu entendimento raso e limitado de concepção do mundo. Difícil compreender ou aceitar o humanitarismo, os direitos humanos essenciais e a erradicação da miséria e da injustiça social como metas físicas e espirituais para mudar esse mundo arraigado a essa pobreza de espírito de não querer avançar para vislumbrar um novo horizonte, e que contamina os quatro recantos do planeta com material venenoso que deposita no fundo do inconsciente a estimular ódio e rancor contra um universo de miseráveis que migram e emigram, aqui e acolá, não cedendo espaço a uma maioria que vai se espalhando pelo planeta, inexoravelmente. Uma pátria sem fronteiras falando a mesma língua das necessidades básicas a exigir inclusão e reconhecimento e que, em breve, lutará com suas próprias armas. Com impeachment ou sem impeachment, em prol dos direitos já conquistados, que não são poucos. O nível de politização hoje alcançado, com a direita e os reacionários, a gente branca, saindo às ruas para defender o seu status quo fantasiados de bandeira brasileira, quando antes queriam abandonar o país rumo a Miami, nos autoriza a pensar que toda reação tem uma ação igual e contrária, e não mais com aquele silêncio tumular observado nos anos 1960 diante da tortura empregada nos porões da ditadura militar. À ditadura militar, se agrega a ditadura do Judiciário, mais sofisticada, com cerceamento progressivo de direito e prisões sem tempo determinado para colher provas e forçar a delação, desmoralizando intencionalmente a classe política e propiciando o aparecimento de um salvador da pátria, que pode ser o próprio juiz herói defensor da causa de limpar o país em seu monocromatismo, inspirado na Operação Mãos Limpas levada a cabo pela Itália, que sepultou os partidos políticos. Em sintonia com o “Fora PT”, mesmo porque os outros partidos burgueses continuariam com a mesma massa fecal, apenas mudando de denominação como qualquer agremiação amadora. Proliferam os grampos combinados com os vazamentos seletivos ou com o pôr sigilo no que não interessa divulgar, com destino certo para sabotar e esvaziar a política do combate à pobreza e à desigualdade social, relegando-a ao último plano para cair no esquecimento, de propósito. A prioridade é combater os cartéis e o suborno à classe política, males que ocupam aposentos exclusivos nos palácios dos três poderes. Dando margem às ratazanas oportunistas, especialmente na mídia, procurarem tirar proveito das perseguições implacáveis em prol da ética e da honestidade na prática política, já sugerindo novas eleições com Marina e qualquer um do triunvirato Aécio/Alckmin/Serra disputando a primazia para finalizar o golpe. Ou mesmo ceder terreno para o PMDB corrupto e traíra do vice Temer, que é melhor do que nada. Com um pragmatismo que esses anticomunistas tanto criticavam no stalinismo. Não importam os meios, o que interessa é o fim como solução final. Em tudo parecido com o Ressurgimento (Risorgimento) para nada mudar com a unificação da Itália, em 1860, em torno de uma monarquia constitucional apoiada pelos conservadores liberais sobrepondo-se aos partidários da esquerda, maçons carbonários, jacobinos, republicanos e democráticos. Quanto à ditadura do Judiciário, através das mãos supostamente limpas de Sérgio Moro, se contrapõe a Suprema Justiça encarnada no Supremo Tribunal Federal e seus 11 magistrados para corrigir os excessos e desatinos da primeira instância, quando o juiz julga mais com o fígado. Hoje o destino do país está nas mãos de uma república composta de juízes, procuradores e polícia federal com sede em Curitiba e Brasília, a encostar na parede o Poder Executivo e Legislativo. A corrupção na Petrobras ao longo dos últimos 25 anos, no mínimo, e o fenômeno negativo do Eduardo Cunha levaram o Brasil ao pelourinho, um caminho sem saída, próprio de um país que ainda não se livrou da mentalidade escravagista e da exploração identificada como Casa Grande e Senzala. O primado da ética e dos bons costumes, no qual o Brasil se situa abaixo da crítica como uma criança mimada e rebelde, exige que nos submetamos aos desígnios de uma Justiça que assumiu os ares de um ente todo-poderoso. Tamanha a culpa no cartório. Resulta numa democracia capenga.

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