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O MENOR CAMINHO ENTRE DOIS PONTOS PODE NÃO SER UMA LINHA RETA

Às vezes é difícil entender por que tive que dar tantas voltas para chegar a um lugar já que seria muito mais razoável se tivesse feito o percurso em linha reta. Dar dois passos à frente e um atrás, e sair pela esquerda com todo mundo me empurrando para ir pela direita com o propósito escuso de trilhar o caminho que a maioria segue, justamente para não se defrontar com questionamentos que supostamente não estaríamos preparados para responder à altura. 
À primeira vista, pareceu irracional. Se nos julgamos aptos conhecedores para assumir o que já sabemos sermos capazes de exercer, então, para que dar tantas voltas?
Por que é necessário esperar tanto para que algo se suceda? Pior, trilhar o caminho mais longo e inóspito para alcançar um patamar que se encontra logo ali, à sua frente. Como se diante de uma vitrine, bastando esticar o braço para tê-lo em suas mãos. Para abocanhá-lo, se fôssemos irracionais.
Alegam os mais sábios que é para amadurecer. Você não está pronto. Vai que não acreditem e a sabatina o irrite, sentindo-se incompreendido e até internamente acusado de enganar aos outros. É preciso sofrer a experiência da descrença em sua capacidade. Para que seja examinado como irá reagir aos que o interpretam de modo completamente distinto do que imagina a ponto de nem ter pensado no que os outros raciocinaram e concluíram. Sem despertar para a importância de ativar e liberar a imaginação de com quem interage. 
E se isso levar a vida inteira? Ó, impaciência! É o meu destino ou minha sina? E se isso não for resolvido em vida? Sim, porque, por exemplo, muitos pais têm sua influência reconhecida na formação dos filhos somente depois que desmaterializaram. Injustiça? Não, se os filhos não estavam preparados para assimilar a orientação ou o próprio pensamento dos pais. Os próprios pais se vão dessa existência inconformados com o pouco caso dos filhos quanto ao que observam. Por vezes, deixaram de ser pais num período nefasto, querem reocupar a posição perdida e defrontam-se com o descrédito dos filhos. Ou os filhos nunca souberam se aprumar na vida, parecendo perdidos no espaço, com os pais se perguntando se os filhos foram realmente concebidos por eles ou se existe algum caso de insanidade na família. 
O mais doloroso é ter a perfeita noção do que está fazendo com completo domínio da situação e pressentir que o mundo aí afora ainda não farejou, não se apercebeu ou, por não ter compreendido o todo, se cala. Cabe a você aceitar o anonimato, ignorado no limbo, isolado na torre de marfim, e acomodar-se à encolha como puder. Contudo, em sentido contrário e com maior intensidade, desenvolver uma força natural latente em seu espírito e despertar seu poder de criação, a fagulha de Deus que o habita. Para deixar marcada sua obra ou sua trajetória, cuja pujança não será negligenciada por quem foi alcançado por ela, contribuindo assim para transformar a vida futura de quem imaginava não enxergar um palmo adiante do nariz, não ouvir patavina e não conseguir vazar suas emoções.

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Antonio Carlos Gaio
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