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A CULTURA DO SEGREDO NO ARMÁRIO DO VATICANO

O sociólogo e jornalista francês Frédéric Martel mergulhou na Igreja Católica e no Vaticano, realizando 1.500 entrevistas, incluídos 41 cardeais, 52 bispos e monsenhores, 45 núncios apostólicos e mais de 200 padres e seminaristas, que resultaram no livro “No armário do Vaticano – poder, hipocrisia e homossexualidade”, onde procura mostrar como a onipresença de homossexuais na Igreja, em uma cultura do segredo, se configurou num sistema com papel importante nos jogos de poder e nos escândalos da instituição.
Por razões essencialmente ligadas ao celibato e à castidade, a Igreja Católica acabou por atrair, recrutar e promover um número espetacular de homossexuais em seu interior. Mas, para compreender bem o Vaticano, faz-se necessário se transportar ao contexto da cúpula eclesiástica, de cardeais hoje com 80 anos. Em sua mocidade, nos anos 1950-1960, a homossexualidade era considerada crime por todos os quadrantes do mundo, e quem a praticasse se sujeitava à prisão. Para alguém que se sentia um pária como homossexual, entrar para a Igreja significaria ser incluído na sociedade e com um senhor status, vindo a se tornar, por muito tempo, um pré-requisito para justificar a vocação, embora não o único.
O celibato foi adotado para os sacerdotes a partir do ano 1.123 e as razões de ordem teológica se concentravam na entrega a Cristo de forma mais plena, uma que vez que Ele não teve outro vínculo nupcial, a não ser o que contraiu com a sua Igreja. Os clérigos se dedicariam com maior disponibilidade ao serviço dos outros homens. A pessoa e a vida do sacerdote são possessão da Igreja, que faz as vezes de Cristo, seu esposo. O celibato prepara o sacerdote para receber e exercer com generosidade a paternidade que pertence a Cristo. Com tanto ato falho, era natural que um padre tivesse mulher e filhos, mesmo com a proibição, ou até mesmo um namorado.
Ora, a castidade é profundamente contra a natureza do ser humano! Já a homossexualidade, não. Mas manter relações com crianças de 6 ou de 10 anos de idade e isso se transformar numa compulsão que foi corroendo a estrutura da Igreja Católica, até fazer surgir um grande aparato defensor da ocultação dos abusos sexuais, enfiados nos armários do Vaticano, é uma monstruosa anomalia – ainda mais se tratando de uma religião.
Igualmente um cardeal obcecado da manhã à noite pela questão homossexual e que só pensa na teoria do gênero, enquanto há tantos problemas graves no mundo. Ou se nos valermos do ex-diretor do FBI Edgard Hoover ou do escritor Marcel Proust ou de casos idênticos a alardearem uma regra bastante clássica: o gay é muito homofóbico quando quer esconder sua homossexualidade.
Segundo Frédéric Martel, o objetivo da cultura do segredo é a proteção do padre pedófilo, seja por medo ou chantagem. Se alguém é desmascarado, o sistema tem que ser preservado, privilegiando a instituição ao indivíduo e à vítima. Criou-se um método generalizado de ocultação; de forma organizada, protege criminosos.
Embora o Papa Francisco tenha sido o primeiro Sumo Pontífice a combater a pedofilia, como tudo no mundo caminha a passo de tartaruga em questões morais, a expectativa de reverter o problema fica para o século XXII. Enquanto a homossexualidade dos padres não for reconhecida, e eles não puderem se casar, será impossível se livrar dessa cadeia simbiótica de fatos. Quem não quiser ver essa correlação, está interessado em resguardar a imagem da castidade em sociedade como a do lobo vestido em pele de cordeiro.

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