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ESPÍRITO OBSESSOR NA GUERRA FAMILIAR

Uma mulher resoluta, independente e cheia de atitudes. A marca do empoderamento da sua geração. Como executiva, sempre viajou pelo mundo inteiro e trocava de namorado como bem entendia.
Também pudera, quando nasceu, sua mãe entrou em coma após o parto devido a uma infecção hospitalar e nunca mais readquiriu o seu ânimo anterior. Ato contínuo, seu pai fugiu às responsabilidades, deixando ao encargo dos avós de Ludmila cuidar da educação da neta, bem como manter viva sua filha que, a partir daí e ao recobrar do coma, passou a exigir cuidados especiais.
Até que Ludmila resolveu se casar e teve uma filha, mas voluntariosa conforme cresceu e se desenvolveu, o matrimônio não resistiu por muito tempo. Foi nesse preciso momento que os avós de Ludmila, ao constatarem que ela dava conta de sua vida de forma destemida, cometeram um erro do qual iriam se arrepender amargamente. Transferiram todos os seus bens e rendimentos deles decorrentes para sua neta, tendo em vista a idade avançada e ambos não mais se mostrarem aptos para enfrentar o dia a dia, necessitando de mais cuidadoras, além da que dava banho e de comer à sua filha.
Ludmila se transformou no diabo em pessoa. O dinheiro subiu à sua cabeça. A posse de um quinhão, não tão considerável assim, atraiu a obsessão, a ação persistente de um Espírito malévolo em perfeito congraçamento com um desvio moral que foi se pronunciando e tomando conta de sua persona. O espírito obsessor atua desde a simples influência de ordem moral, sem sinais exteriores perceptíveis, até a completa perturbação do organismo e das faculdades mentais. Os maus Espíritos circulam ao redor da Terra para dar o bote em função do trânsito livre proporcionado pela inferioridade moral dos seus habitantes.
Começando por restringir a autonomia do casal de idosos, Ludmila limitou os seus gastos, cortou a TV a cabo e até retirou-lhes o cartão de crédito para subtrair o seu bem-estar. Negligenciou no acompanhamento do trabalho das cuidadoras e as transformou em suas informantes, à medida que seus avós iam reclamando da falta de cumprimento de suas obrigações com as críticas pesadas chegando aos seus ouvidos.
Até que Ludmila rompeu com seus avós, proibindo-os de rever e mesmo de falar pelo telefone com a bisneta, que lhes dava muitas alegrias. O que aumentou a pressão sobre pessoas idosas cuja capacidade para suportar os embates da vida já é extremamente reduzida e que pode dar margem ao ressurgimento ou agravamento ou mesmo o despertar de novas doenças. Afetando o coração, a sensibilidade, a mente e o intestino – o segundo cérebro. E a alma.
Ao longo de um ano, surge um câncer no seio esquerdo de fator de risco pequeno, seguido de outro, menor ainda, no seio direito. Um aviso para Ludmila. O que a fez se apresentar na casa dos avós e pensou-se que queria retomar as relações interrompidas. Mas, ao contrário, convocou uma reunião para declarar guerra. Em réplica a seus avós lastimarem a decisão de terem aberto mão de seus bens, Ludmila previu uma provável dilapidação se o patrimônio se mantivesse no nome deles, como se estivesse preocupada com a preservação da vida de sua mãe. Tanto que perguntou: Por que é que vocês ainda não morreram? Blasfêmia também já levantada a respeito da inutilidade da existência de sua mãe. Ludmila, neta e filha ingrata, sem o menor temor de suas palavras quanto à lei da ação e reação.
O avô se levanta de bengala em punho na direção dela, mas não consegue dar um passo, até com medo que fosse vitimado com novo infarto. Reclama que ela retirou sua principal diversão que era assistir futebol, agora impossível pela péssima qualidade da imagem de TV. Ludmila, irritada, ameaça cortar substancialmente a verba de seus remédios e os acusa de ingratidão, alegando na maior desfaçatez estar sustentando e prestando um serviço a eles. Negando toda a formação e educação que seus avós lhe proporcionaram e desrespeitando as agruras impostas pelo sofrimento e pela idade avançada.
A obsessão, tal como as doenças e, por extensão, todas as atribuições da vida, deve ser considerada uma provação ou mesmo relacionada à expiação, originada nas relações do obsedado com o obsessor em existência anterior. Principalmente se degenera para subjugá-lo e possui-lo, castrando sua vontade própria e seu livre-arbítrio. Para se garantir contra a obsessão, forçoso fortalecer a alma e fechar o corpo, senão terá de se valer de socorro para enfrentar a ação vingativa de um Espírito intruso.
Esse é apenas o primeiro capítulo de uma série, que já compromete a precariedade dos espíritos de avós, filha e neta, cada uma em seu contexto de disputa, com a inocente bisneta ainda de nada sabendo ou sequer suspeitando acerca das intempéries que poderão se abater sobre sua encarnação.

Um Comentário para ESPÍRITO OBSESSOR NA GUERRA FAMILIAR

  • Meu prezado Gaio, mesmo faz séculos que não entramos em contato, resolvi fazê-lo hoje,mas não para falar sobre malha fazenda ou outras malhas. Li sua crônica acima, realista, porque Ludmilas e Ludmilos há por aí aos montes nos tempos políticos de hoje, Tenho comigo um seu cartão sobre o Jornal duGaio, com seu e-mail, por isso resolvi escreve-lhe. Depois de me aposentar da Fazenda em 1988, montei um escritório de advocacia aqui em Curitiba, onde, com meu filho, estou até hoje; deu certo,mas sem procurar muito estresse. Folgo em saber que você vai bem com seu Jornal duGaio e suas crônicas. Espero revê-lo quando da minha próxima ida ao Rio. Recomendações. P.S.: dá para mandar o endereço de seu jornal?

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