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MATUSQUELA

É a Copa dos matusquelas. É o México passando às oitavas nas costas dos guapos italianos cujo design do uniforme beira o traje a rigor exigível numa competição desse naipe, mas que só nos dá emoção, muita emoção, para compensar disparates que apenas traduzem uma época desglamourizada em que elites se descoloriram no esmero da lavagem de dinheiro sujo. É o México se desclassificando pensando em vingar a Califórnia, Texas e Arizona surrupiadas pelos Estados Unidos por entre las manos corruptas de quem quer que tenha sido o caudilho.
É o Paraguai, depois de uma classificação heróica e inacreditável diante da Eslovênia, se entregando à Alemanha que nem uma mulher que disputa aguerridamente um homem másculo, bem posicionado, sujeito de classe, e, ao conseguir se casar, aceita passivamente as rameiras que perpassam o cérebro de bordel desses quarentões, que já são cinqüentões, cuja fachada é de responsa e exibe a mesma seriedade e aplicação do time germânico. No entanto, em uníssono, reclamam: tem mulher na noite, mas falta quem queira namorar a sério.
Fala sério, todos fustigam, arrulham, se beijam, se encostam, sarram, ficam, contudo, temem o ronco no travesseiro ao lado, pois ninguém sabe converter pênaltis em gols. Como a briosa Irlanda que não soube derrotar a matusquela da Espanha.
Até quando irá durar a mística da frieza, do tirocínio cerebral, da disciplina férrea que equivale a eficiência, de a essência do pensamento avançado e lúcido brotar obrigatoriamente da estética e beleza nórdica? Se dinamarqueses e suecos eliminam as francas favoritas França e Argentina e não suportam a emoção, caindo de quatro, tal quando não resistem ao primado negro no terreno do relacionamento, do afeto e da sexualidade – a vida faz mais sentido.
Para não cair nessa realidade matusquela, apela-se para o anedotário de comer picanha argentina com pão francês, ao som do último tango em Paris e assistindo o melhor jogo da Copa: Argentina e França. Piada maior são os técnicos, doutores em futebol, professores que desenham na prancheta, se esgoelarem à beira do campo e se descontrolarem como o português Antônio Oliveira ao quebrar o pé, despedindo-se da Copa de muletas.
Justo no momento em que a ética no planeta é monitorada pela TV, Portugal, sem tradição de Copa, adota a receita de França e Argentina, azedando ovos moles de Aveiro, rabanadas e encharcadas com pitadas de empáfia. A ponto de Figo, o melhor jogador do mundo em 2001, propor à Coréia uma armação para que o jogo terminasse empatado e excluísse os Estados Unidos. Só pode ser coisa de português! Será que o gajo não se apercebe que criar problemas com Bush é rabo, logo agora que deu sinal verde para assassinar Saddam Hussein? Embora não muito afeitos ao futebol, os atuais conceitos americanos de justiça não distinguem um figo de uma esfirra.
Pênalti batido fraquinho, no meio do gol ou à meia-altura, conforme abusaram os irlandeses, como tremeram nas bases os coreanos, só pode ser coisa de matusquela, comparável a técnicos entregadores de camisas, a Denílson que disputa um outro campeonato colado na bandeirinha de córner, a meio-campistas que não vingaram e deslocaram-se para a zaga pensando que é mole sair jogando. Somente relembram os tempos de pelada em que todos só querem atacar, humilhante é integrar a becanca, e o goleiro é um desavisado sem talento que não serve para nada, salvo tentar impedir que a bola ultrapasse a linha do gol.
Melhor fez um jovem sul-coreano que ateou fogo em seu próprio corpo e se imolou para se transformar em fantasma, o 12º jogador que ajudaria a vencer os dragões europeus e as cobras sul-americanas. Recado passado aos fanáticos torcedores da Coréia do Sul que se pintam e se vestem de vermelho, tão bem entendido por esses diabos que acabaram por eliminar mais uma favorita, a Itália.
36 anos depois de sofrer a maior humilhação de sua história no futebol, ao serem varridos da Copa da Inglaterra pelos comunistas coreanos, a Itália resgata Ahn Jung Hwan do mármore do inferno – perdeu pênalti com 5 minutos – e ascende-o a César, substituindo-o por Giovanni Trapattoni. O técnico medíocre que confirmou o retrospecto ridículo de serem mastigados e cuspidos fora das últimas 5 Copas, nos pênaltis ou na morte súbita, por força de uma estratégia defensivista que desfigura e apequena seus craques avultados em seus clubes, evidenciando uma insegurança que se torna crônica.
Se a Inglaterra que é a Inglaterra abandonou a tradição do chuveirinho, por que transparecer uma velha senhora diante de uma juventude que lota e incendeia os estádios? A ênfase no recuo e em deixar a iniciativa por conta do parceiro reflete a descrença em si e nas suas aptidões, calcado no exagero ao culto de la mama e da vida em família, deixando-os inapetentes para atacar, ser agressivo, arriscar, sem receio de levar bola nas costas. De só ir na boa, com medo da roubada revelar o que tem por trás da beleza italiana que não satisfaz.
Uma pinóia que não satisfaz. Entrou por um ouvido e saiu pelo outro para as mulheres que não entendem nada de futebol, ao se retirarem do recinto da Copa com o descarte dos itálicos. Radicais que são, a genuína diversão se concentra no gozo com as batatas das pernas, peitoris e coxas alheias, subterfúgio da visão de um olho só que as agrupa numa mesma equipe.

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