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MORTES RELEVANTES DA HISTÓRIA REPUBLICANA DO BRASIL CATALOGADAS COMO SUSPEITAS

(Com a colaboração de Benjamin Hamam)

O assassinato do paraibano João Pessoa, vice-presidente na chapa com Getúlio Vargas, contra a oligarquia paulista e mineira que apoiava a candidatura de Júlio Prestes a presidente do Brasil, dando sequência à política denominada café com leite, no poder desde o início do século XX com o presidente Campos Salles, graças ao voto fraudado. Culminou na deposição do presidente Washington Luís e no fim da República Velha com a Revolução de 1930, que empossou Getúlio Vargas e implicou na adoção da cédula eleitoral para votar e facilitar o acesso da mulher e outros segmentos da população a participarem do escrutínio nacional.
O ditador Castello Branco morreu em 1967, no Ceará, quando o bimotor para executivo em que viajava invadiu o espaço aéreo destinado a treinamento de jatos da Aeronáutica. A linha dura da ditadura militar tratava de eliminar resistência dentro do seu próprio meio, de quem se opusesse ao endurecimento do regime em pleno mandato do general Costa e Silva.
O ex-presidente Juscelino Kubitschek pretendia voltar à vida política depois de passados os dez anos da cassação de seus direitos políticos, quando em 1966 já havia se organizado com Jango Goulart e Carlos Lacerda na articulação da malsucedida Frente Ampla em oposição à ditadura militar. Foi assassinado em acidente forjado de automóvel na Rodovia Dutra, em agosto de 1976, para que ele não se candidatasse de novo e tumultuasse o cenário político amordaçado e arranjado ao gosto do regime militar.
Jango Goulart sofreu atentado em dezembro de 1976, cuja origem se divide entre a troca de remédio para controlar doença cardíaca não o ter prevenido contra o infarto ou envenenado por agentes da Operação Condor, a mando do delegado Fleury e do ditador Geisel. Não cabe estarrecimento, se o generalato comandava o regime de torturas e de assassinatos cirúrgicos de inimigos da ditadura. Se Pinochet, em 1973, envenenou Neruda no hospital, quando precisou se internar. Imitando o modus faciendi stalinista.
Carlos Lacerda também teria sofrido atentado em maio de 1977, quando deu entrada na Clínica São Vicente para se tratar de uma gripe e saiu num caixão, abatido por um infarto no miocárdio. O fato de os três líderes da Frente Ampla terem morrido em datas tão próximas reforça a tese de que seu desaparecimento estava correlacionado à ameaça do retorno imediato às eleições presidenciais e à higienização da classe política, notória no nazismo.
Tancredo Neves, o presidente eleito em eleições indiretas realizadas no Congresso, não pôde tomar posse em 15 de março de 1985 por força de uma diverticulite que o obrigou a ser submetido a sete cirurgias. Tudo em clima de grande tensão devido à possibilidade de uma interrupção na abertura política em andamento, com Tancredo temendo que os militares da linha dura interviessem e um “erro médico” provocasse sua própria morte, o que só veio a acontecer em 21 de abril de 1985.
Paulo César Farias, chefe de campanha do presidente Collor, o testa de ferro no escândalo de corrupção conhecido como esquema PC que levou ao impeachment de Collor, foi assassinado com sua amante Suzana Marcolino em junho de 1996. Sua execução motivada pela necessidade de queima de arquivo teria sido comandada pelo Collor, em virtude de Elma Farias, ex-mulher de PC Farias, insistir que ele tocasse fogo no país e entregasse o caçador de marajás e sua corriola, indignada com seu sangue de barata ao ter sido preso e manter-se calado – ela veio a falecer meses depois. Ou, então, tramada pelos pragmáticos irmãos de PC Farias, conhecidos como irmãos Metralha, depois da fuga rocambolesca do PC e de sua amante, sendo presos na Tailândia, achando melhor sacrificá-los para embolsar o dinheiro da campanha de Collor, estimado em 52 milhões de dólares. Os seguranças do PC, acusados pelo crime e depois inocentados, até hoje são funcionários da família Farias.
Em outubro de 1992, Ulysses Guimarães, em companhia de sua esposa e do casal Severo Gomes, morreram em acidente de helicóptero em Angra dos Reis. O único corpo não encontrado foi o de Ulysses Guimarães. Embora em declínio político, pode ter sido assassinado pelos mentores das bombas no Riocentro e de outros atentados cometidos pelo regime militar em retaliação a ele ter encabeçado a campanha pela anistia dos presos políticos e de cassados, e posteriormente encarnar o Senhor Diretas.
Em janeiro de 2002, Celso Daniel, prefeito de Santo André (SP), foi arrancado de seu carro, levado por bandidos e assassinado com 8 tiros dois dias depois. O inquérito policial concluiu que o sequestro ocorreu por engano quando descobriram a identidade do prefeito petista, resolvendo apagar a vítima. A família, através do irmão João Francisco Daniel, filiado ao PTB e rompido pessoal e politicamente com Celso Daniel, atribuiu a um esquema de corrupção entre a prefeitura, empresas de ônibus e o PT para financiar campanhas. O mandante e coletor da propina seria o empresário Sérgio Gomes (o “Sombra”), que, ao volante do carro abalroado e crivado de tiros, foi poupado do sequestro – viria a morrer de câncer em 2016. Foram executados em circunstâncias misteriosas um dos sequestradores e uma das principais testemunhas pelas mãos de uma facção rival; o amigo que o escondeu em sua casa para protegê-lo; um investigador da Polícia Civil, que telefonou para o sequestrador na véspera da execução de Celso Daniel; o garçom que serviu o prefeito na noite do sequestro; a testemunha da morte do garçom; o agente funerário que reconheceu o corpo do prefeito jogado na estrada; e o legista que atestou marcas de tortura no cadáver de Celso Daniel – todos entre 2002 e 2005, com diferença de meses de um para outro. Em 2010, a promotora Eliana Vendramini, responsável pela investigação, sobreviveu a um atentado em que seu carro blindado, atingido repetidamente por outro, capotou três vezes.
O ex-governador de Pernambuco por dois mandatos, Eduardo Campos, morreu em agosto de 2014 quando o jato em que viajava caiu em Santos em plena campanha à Presidência da República. Seria a terceira via nas eleições disputadas entre PT e PSDB, cuja morte interessaria aos seus rivais e levaria Marina, sua vice, a assumir a candidatura e a participar da competição, guindada logo ao primeiro posto. Absurdo apontar um deles como mandante de uma suposta eliminação, mas são tantos os acidentes na aviação que vitimam a classe política, sempre envolvida com corrupção e caixa 2 para conquistar o poder, que torna fértil o terreno para plantar uma teoria da conspiração. Não é de todo improvável atribuir a quem deseja esvaziar a Operação Lava-Jato a morte do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavacski, no litoral de Paraty, quando o bimotor turboélice, que se preparava para aterrissar, caiu no mar em meio a uma chuva torrencial. Depois do PT sofrer uma devassa por parte do juiz Moro, os principais beneficiários com o desfecho trágico do magistrado seriam o governo Temer, que nomeou uma quadrilha para tomar conta do poder usurpado, e o PSDB, que faz parte da aliança golpista, ambos alvos de dezenas de delações premiadas, mas favorecidos pelo corpo mole do Poder Judiciário como um todo, simpático à sua causa política.

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