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SEXO EM PÚBLICO

Um casal foi flagrado fazendo sexo em plena feira de artesanato em Búzios. Eram reincidentes em fazer amor em público.
Fazer amor ou fazer sexo? É amor ou tesão em doses cavalares? Enquanto durar, é amor. O sonho de todos: pela vida inteira. E se perdurar por uma existência, seria correto, em atenção ao amor genuíno, desvirtuá-lo para atentado contra a moral pública?
Ou amor com muito tesão não deve incomodar a moralidade pública e, portanto, ser encerrado entre as quatro paredes? De modo a resguardar a intimidade dos outros quanto a cenas que possam causar desconforto e mal-estar generalizado, a ponto de não conseguir dormir tamanha a sucessão de imagens carregadas de luxúria.
Há que manter o fazer amor limitado à privacidade do leito conjugal para não perturbar aqueles que nunca provaram do calibre daquele mel ou não têm a menor vocação para o amor descacetado. Muito embora façam jus a sofrer e se torturar com cenas de lascívia em público para ver se algum dia despertam e interrompem sua existência sem graça, como se fora uma folha de papel em branco, sem um rabisco sequer.
O fazer amor em público integra o mesmo conjunto que padece do tabu imposto à sociedade, tal como a nudez e o beijo gay. São alvo do mesmo público que, no passado, policiava o casal de namorados que beijava no escurinho do cinema. Por se aproveitarem do ambiente destinado à diversão para dar vazão ao sentimento devasso.
Menos mal que o beijo conseguiu ultrapassar essa barreira e foi reconhecida a necessidade das mulheres fazerem sexo tanto quanto os homens.
Mas a imaginação não dá trégua no combate a censores travestidos dos chamados bons princípios e ilibados valores morais. Termos empolados que dão significância à repressão e que impedem o abrir as portas do prazer e da felicidade. Embora não seja tão óbvio assim, tamanhas as dificuldades que os seres humanos vão acumulando com suas exigências, seja do caráter de religiosamente seguir tradições ou de satisfazer necessidades egoístas ou individualistas.

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