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VERA LEILA FISCHER DINIZ

Vera Fischer é a Leila Diniz dos tempos em que os aviões entram pelas janelas, carneirinhos começam a reagir e o cordeiro de Deus não tem mais piedade de nós – racista, deu branco no mundo.
Os Estados Unidos não mais serão os mesmos depois que os árabes lhe deram limites, terão de ver o mundo de outra forma, sua segurança exige. Assim como Vera Fischer, tem que ser examinada devagar devagarinho, para o público esfregar os olhos e acreditar que deseja ser como ela é, na ficção ou na realidade. Uma mulher que não tem preço, mesmo um cego enxerga seu halo à distância, sabe o que isso representa.
Leila Diniz ficou famosa por ser muito livre e solta, nos libertou a nós homens e mulheres. Sem preconceito. Não aceitá-la seria vulgarizar um caminho univérsico que ela desbastou para as mulheres largarem de ser Carolina à toa na vida vendo a banda passar.
Fräulein Fischer é a nova Leila Diniz. Primeiro que é loura, e não é burra. Segundo, porque foi Miss Brasil e nunca fez modelão. Terceiro, porque não é politicamente correta, portanto, chata. No quarto, porque é uma gostosa explícita, enquanto a Leila tinha o recato ideológico próprio da década de 60.
Sua barriga escancaradamente de fora “agredindo-nos com sua gravidez” criou um estilo nas caretas de hoje. No entanto, não desvirtuava a maternidade, o ato sagrado em ser mãe, uma condição natural e antiga que desperta uma tendência a que todos estamos coagidos, em protegê-la, afinal Mãe é aquela que sempre salva e nos redime, a única que tem o poder de perpetuar a reprodução da espécie, a mãe santa.
Tinha esse poder – clona-se a exclusividade. Verinha, não, nunca foi santa, mas jamais entraria na buraqueira que levou Marilyn Monroe a confundir Kennedy, Arthur Miller e o filme que estrelou “Nunca fui santa”, a loura vazia que seduz o vizinho chefe de família careta que deixou esposa e filhos longe, no último verão.
Vera, não, nunca deixou de ser mãe. Nunca abriu mão de ser mãe. Mesmo quando perdeu a guarda de seu arcanjo Gabriel.
Nunca teve medo de viver qualquer papel na telinha – roxo é a cor da paixão para encarar e satisfazer o público – colando a imagem que veiculam de sua vida real nas novelas, ofendendo, agredindo e insultando o limite entre a ficção e a realidade. Com inigualável talento, parece vinho, o tempo passa e fica cada vez melhor. Muito bem paga por fazer isso, muito mais para não deixar de fazer.
Cazuza e ela fazem parte do mesmo circo que Charles Chaplin denunciou no longínquo século XX, ao inventar a sétima arte no cinema, e acabou “deportado” para a Suíça pelo FBI em razão de seus tempos modernos, para ser torturado pela vizinhança de Hitler em razão de seu grande ditador. São kamikazes que não falecem na nossa memória.
Persiste nelas um porém que as identifica. E fascina os homens. Elas conseguem ser mais livres que os ditos-cujos ao não distinguir ficção da realidade, o que os obriga a rotularem-nas de messalinas. São mulheres, é o que faz a diferença, não são árabes, judeus ou americanos, são mulheres que querem sentir o amor de forma exclusiva e original que os homens compreendam, preservado de suas imposições e prescindindo dos preservativos que nos obrigam a comer bala sem tirar o papel, aptos a desarmar o gatilho da desconfiança que os mantêm manietados, à distância, com medo da loba que irá devorar essa raça de carneiros pretos em que eles se transformaram. 
Elas cantam em hino: “Ai, que delícia, sorver a vontade de alguém que nos quer de verdade, poder acreditar nessa de seremos felizes, tanto que acreditamos no amor, no amor que torna o beijo complacente, como o hímen, aberto ao primeiro que deflorar sua sensibilidade tal como ela deseja”.

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Antonio Carlos Gaio
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