Perdão, Padrão.
Patrão não.
Você tá na contramão
das minhas mãos
que escrevem e escreverão
livres do seu sermão.
Ter que seguir norma
nunca foi minha forma
de viver a vida
que me é colorida,
e sigo rindo, achando-a linda
por ser cada dia diferente de antes.
Na vida somos amantes
e não profissionais.
Não sigo a seta dos normais.
Recebo ordens diariamente,
mas só da minha mente febril brincante.
É assim que ordeno meu caldeirão fervilhante.
Não tenho tempo e energia
bate cansaço –
pra amarrar meus braços
pra caber nos espaços
de aço
que não derretem.
Eu me derreto toda
de emoção,
me liquefaço,
choro,
e às vezes evaporo
de mim.
Então sim,
nem peço mais perdão,
este era um padrão,
um dos nãos
que não conseguia dar.
Patrão não.
Nem meu antigo eu
e os vícios que minha educação me deu
vão me encaixotar.
“Xô” pra lá!
Padrão é ilusão
pra quem se sabe
singular.
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